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Entregadores do iFood fazem paralisação em Campina Grande e protestam contra valores pagos por corrida

Publicado em 15/10/2026 às 11:00 Por Redação


Entregadores que trabalham pelo aplicativo iFood em Campina Grande anunciaram uma paralisação das atividades nesta quinta-feira (15) em protesto contra os valores pagos pelas entregas e contra a chegada da modalidade Mais Entregas à cidade.

O movimento foi organizado durante uma reunião realizada na noite desta quarta-feira (14). Em vídeos divulgados nas redes sociais, representantes da categoria convocaram os trabalhadores para o chamado “breque”, nome utilizado pelos entregadores para paralisações dos aplicativos.

Os motoboys afirmam que algumas corridas dentro do novo modelo podem render cerca de R$ 3,30 por entrega e defendem um piso de R$ 7,50 por corrida.

“Não podemos aceitar motoboy rodando a R$ 3,30. Isso é passa-fome”, declarou um dos representantes durante a mobilização.

As informações sobre valores e impactos da nova modalidade foram apresentadas pelos próprios entregadores. O modelo de remuneração do Mais Entregas, porém, possui outros componentes além do pagamento individual de cada pedido.

O que é o Mais Entregas?

O +Entregas, como é chamado oficialmente pelo iFood, é uma modalidade na qual o trabalhador pode escolher antecipadamente uma região e um período para realizar entregas.

Segundo a plataforma, o modelo combina três componentes:

- pagamento pelas entregas realizadas;
- um valor fixo referente ao período reservado;
- um valor mínimo garantido, quando preenchidos os critérios definidos pela empresa.

Para ter direito ao pagamento fixo do período, o entregador precisa permanecer disponível em pelo menos 90% do horário programado e pode cancelar ou rejeitar, no máximo, duas rotas durante o período reservado.

O iFood afirma que a modalidade foi criada para concentrar entregas em regiões menores, diminuir o deslocamento e aumentar a previsibilidade dos ganhos.

Por que os entregadores reclamam de corridas de R$ 3,30?

A principal crítica feita pelos trabalhadores é que o valor individual pago por algumas entregas dentro do Mais Entregas pode ficar bem abaixo do mínimo praticado na modalidade convencional.

Em agosto deste ano, o próprio debate sobre o modelo chegou ao Governo Federal. Na ocasião, o iFood informou que o Mais Entregas pode pagar aproximadamente R$ 3 a R$ 3,50 por entrega, enquanto o modelo tradicional trabalha com valores mínimos que ficam na faixa de R$ 7 a R$ 7,50.

A empresa argumenta, porém, que comparar apenas o valor de uma corrida não representa a remuneração total do Mais Entregas, porque o modelo inclui o pagamento fixo pelo período e mecanismos de garantia mínima.

Segundo o iFood, a modalidade pode resultar em ganhos de 10% a 30% superiores em determinadas condições devido ao direcionamento de mais pedidos e à redução das distâncias percorridas. Essa é a versão apresentada pela própria empresa e tem sido contestada por grupos de entregadores.

Entregadores temem redução da renda em Campina Grande

Os trabalhadores de Campina Grande afirmam que a realidade local precisa ser levada em consideração.

Segundo os organizadores do protesto, a cidade já enfrenta períodos em que há poucos pedidos para a quantidade de entregadores conectados, situação que pode aumentar o tempo de espera entre uma corrida e outra.

A preocupação do grupo é que o Mais Entregas concentre uma parcela maior dos pedidos entre trabalhadores inscritos no novo sistema e pressione os demais a aderirem ao modelo.

Esse temor também aparece em reclamações registradas por entregadores de outras cidades, que questionam como os pedidos são distribuídos entre diferentes modalidades da plataforma.

O iFood sustenta que o número de entregas disponíveis depende de fatores como demanda de clientes e restaurantes, quantidade de entregadores conectados, região e horário de funcionamento.

iFood diz que modalidade é opcional

A empresa afirma que a adesão ao Mais Entregas é voluntária.

Segundo o iFood, o trabalhador pode escolher se deseja reservar períodos dentro do sistema e continua tendo autonomia para decidir quando utilizar a plataforma.

A companhia também afirma que as regras e a composição dos pagamentos são apresentadas aos entregadores pelo aplicativo antes da adesão.

Os trabalhadores, por outro lado, vêm questionando se a distribuição dos pedidos cria, na prática, vantagens significativas para quem entra no novo modelo.

Essa é uma das questões que motivam a mobilização desta quinta-feira em Campina Grande.

Quanto o iFood diz pagar nas entregas convencionais?

Na página oficial destinada aos entregadores, o iFood informa que o cálculo de cada rota considera fatores como:

quantidade de coletas, número de entregas e distância percorrida.

A plataforma também informa que complementa o pagamento quando a rota não atinge determinados valores mínimos. Para entregas convencionais, o piso indicado pela empresa varia entre R$ 7 e R$ 7,50, dependendo do modal e das condições aplicáveis.

É justamente esse patamar que os trabalhadores mobilizados em Campina Grande querem preservar como referência.

“Nenhuma entrega abaixo de R$ 7,50”

Entre as principais reivindicações anunciadas está a defesa de que nenhuma entrega seja remunerada abaixo de R$ 7,50.

Os motoboys argumentam que precisam arcar diretamente com despesas como combustível, manutenção da motocicleta, pneus, óleo, alimentação, internet móvel e equipamentos de trabalho.

Como os entregadores atuam atualmente como trabalhadores autônomos dentro da plataforma, esses custos ficam, em grande parte, sob responsabilidade do próprio profissional.

O iFood afirma, por outro lado, que os entregadores podem trabalhar em diferentes plataformas e organizar os próprios horários sem vínculo empregatício tradicional.

Campina Grande já teve outros “breques”

A mobilização desta quinta-feira não é a primeira organizada por trabalhadores de aplicativos na cidade.

Campina Grande participou do Breque dos Apps, movimento nacional iniciado em 2020 para reivindicar melhores remunerações, proteção contra bloqueios considerados injustos, segurança e melhores condições de trabalho.

Estudo acadêmico sobre entregadores de aplicativos em Campina Grande também registra outras paralisações locais nos anos seguintes. Uma delas, em março de 2024, teria reunido cerca de 80 trabalhadores, segundo os organizadores citados pela pesquisa.

As reivindicações relacionadas ao valor das corridas permanecem entre os principais pontos de conflito entre trabalhadores e plataformas.

Paralisação pode afetar pedidos nesta quinta

A orientação dos organizadores é que os entregadores participantes permaneçam sem realizar corridas durante o período definido pelo movimento.

Com isso, parte dos pedidos realizados pelo aplicativo em Campina Grande pode enfrentar demora ou indisponibilidade, dependendo da adesão dos trabalhadores.

Não há, até o momento, uma estimativa pública sobre quantos entregadores participarão da paralisação.

O objetivo anunciado pelo grupo é pressionar pela revisão dos valores pagos e abrir um canal de negociação com a plataforma.

Até esta atualização, não foi localizada manifestação específica do iFood sobre o protesto organizado em Campina Grande. O posicionamento da empresa sobre o Mais Entregas é de que o modelo é opcional, prevê valor fixo e garantia mínima e busca aumentar a previsibilidade da remuneração.


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