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Paraíba

Entre o salário e a dívida: por que o endividamento cresce mesmo quando a economia melhora

Publicado em 16/08/2026 às 05:00 Por Redação
Foto: Portal PontoPB
Foto: Portal PontoPB
Paraíba registra aumento da inadimplência, enquanto famílias enfrentam custo de vida elevado, parcelamentos e facilidade de acesso ao crédito; economista explica como decisões cotidianas podem comprometer o orçamento por meses ou até anos



O salário cai na conta e, muitas vezes, quase desaparece no mesmo dia. Aluguel, financiamento, cartão de crédito, supermercado, escola, contas domésticas e uma sucessão de pequenas parcelas disputam o mesmo dinheiro. Quando surge um imprevisto, não há margem. A saída pode ser um novo empréstimo, o parcelamento de uma fatura ou a utilização do limite do cartão. O que parecia uma solução para atravessar o mês pode se transformar em uma dívida que acompanha o consumidor por anos.

É nesse cenário que a Paraíba aparece entre os estados brasileiros que registraram crescimento da inadimplência. Segundo dados apresentados durante entrevista com o economista Amadeu Fonseca, o avanço no estado foi de aproximadamente 3,7%, abaixo das médias registradas no Nordeste, de 4,9%, e no país, de 7,8%.

Os números, porém, contam apenas parte da história. Por trás das estatísticas estão famílias que precisam administrar uma equação cada vez mais apertada entre renda, custo de vida e crédito. E, segundo Fonseca, compreender a diferença entre estar endividado e estar inadimplente é o primeiro passo para entender o problema.

Endividado não significa necessariamente inadimplente


As duas palavras costumam aparecer como sinônimas no cotidiano, mas representam situações diferentes.

O endividamento ocorre quando parte da renda futura já está comprometida com obrigações financeiras. Um financiamento de imóvel ou veículo, por exemplo, é uma dívida mesmo quando as parcelas estão sendo pagas regularmente.

Já a inadimplência acontece quando o consumidor deixa de cumprir uma obrigação financeira dentro do prazo.

De acordo com o economista, o nível de endividamento das famílias brasileiras estaria próximo de 81% a 82%. Na prática, isso significa que aproximadamente oito em cada dez famílias possuem algum tipo de compromisso financeiro.

O problema começa quando praticamente toda a renda já está comprometida. Nesse cenário, qualquer imprevisto — uma despesa médica, um conserto, uma queda de renda ou uma conta inesperada — pode desorganizar o orçamento.

É nesse ponto que o endividamento pode se transformar em inadimplência.

Quando o salário vira apenas dinheiro de passagem


Fonseca usa uma expressão que ajuda a traduzir a situação: o “salário de passagem”.

O dinheiro entra na conta e, pouco depois, deixa de estar disponível porque já possui destino definido. Não existe necessariamente um grande gasto responsável pelo desequilíbrio. Muitas vezes, o problema é a soma de várias obrigações menores.

Uma compra parcelada em três vezes. Outra em cinco. Uma assinatura mensal. Um pedido de comida. Uma compra feita por impulso. Uma fatura que foi parcialmente paga no mês anterior.

Isoladamente, cada despesa pode parecer administrável. Juntas, elas comprometem uma parcela significativa da renda futura.

“Você consome as suas compras em uma semana e passa três meses pagando aquela compra”, explicou o economista durante a entrevista.

A lógica do parcelamento é justamente antecipar o consumo e distribuir o pagamento. O risco aparece quando essa estratégia se repete continuamente.

O cartão de crédito e a ilusão da pequena parcela


A facilidade proporcionada pelos meios digitais também mudou a relação das pessoas com o dinheiro.

Quando uma compra era feita predominantemente em espécie, o consumidor via fisicamente o dinheiro diminuir. No cartão, no Pix e em outras formas digitais de pagamento, a percepção do gasto pode ser menos imediata.

O problema aparece quando a soma chega à fatura.

Para Fonseca, o consumidor precisa observar não apenas o valor de cada parcela, mas o conjunto das obrigações já assumidas. Uma compra de R$ 50 pode parecer irrelevante. Dez compras de R$ 50, no entanto, representam R$ 500 comprometidos.

O cartão, segundo ele, continua sendo uma ferramenta útil, mas pode se transformar em um dos principais fatores de desequilíbrio financeiro quando a fatura deixa de ser paga integralmente.

O pagamento mínimo, por exemplo, não elimina a dívida. Na prática, mantém o saldo devedor sujeito aos encargos da modalidade de crédito.

Por isso, uma das recomendações apresentadas pelo economista é evitar transformar pequenas compras recorrentes em parcelas de longo prazo. Para bens de maior valor, como uma geladeira ou uma televisão, o parcelamento pode fazer parte do planejamento. Para despesas menores, a repetição das parcelas pode criar uma espécie de “fila” de compromissos que se acumula ao longo dos meses.

O perigo de olhar apenas para o valor da parcela


Uma das armadilhas mais comuns no mercado de crédito é avaliar uma proposta apenas pela redução da prestação mensal.

Uma instituição pode oferecer, por exemplo, uma nova operação que reduza uma parcela de R$ 700 para pouco mais de R$ 500. À primeira vista, a mudança parece vantajosa.

Mas existe uma pergunta fundamental: por quantos meses a nova dívida será paga e quanto será desembolsado ao final?

Uma prestação menor pode resultar em um número maior de parcelas e, consequentemente, em um custo total mais elevado.

É por isso que Fonseca chama atenção para a taxa de juros e para o custo total da operação. Na explicação usada durante a entrevista, o dinheiro emprestado pode ser compreendido como uma espécie de “aluguel”: quem toma R$ 5 mil precisa devolver o valor recebido acrescido do custo pelo uso daquele dinheiro.

A comparação entre instituições financeiras também é importante. As taxas podem variar, e uma operação que parece conveniente pela parcela mensal pode não ser a alternativa mais barata quando todas as prestações são somadas.

A facilidade do crédito pode virar uma armadilha


Outro ponto discutido na entrevista foi a facilidade de contratação de crédito por aplicativos e canais digitais.

Em poucos minutos, o consumidor pode receber ofertas de empréstimo, aumento de limite, parcelamento de fatura ou modalidades de crédito vinculadas a operações que parecem, à primeira vista, semelhantes a pagamentos convencionais.

Fonseca chama atenção para a necessidade de compreender exatamente qual operação está sendo contratada, quais são os juros e quais outros encargos incidem sobre ela.

O alerta ganha importância entre consumidores que têm menos familiaridade com produtos financeiros.

A questão também aparece no crédito consignado. Servidores públicos, aposentados e pensionistas podem receber ofertas relacionadas à chamada margem consignável, e a existência de margem disponível pode ser apresentada como dinheiro imediatamente acessível.

Mas margem disponível não significa renda extra.

Trata-se de capacidade de assumir uma nova obrigação financeira. Ao contratar um novo crédito, o consumidor aumenta o comprometimento da renda futura.

O economista relata ter encontrado, em sua experiência profissional, casos de pessoas com numerosos contratos simultâneos de empréstimos e consignados.

Antes da inadimplência, há uma sequência de decisões


Para Fonseca, a inadimplência raramente começa no momento em que uma conta deixa de ser paga.

O problema costuma ser construído antes, por uma sucessão de decisões que comprometem progressivamente a renda.

Por isso, ele evita atribuir o problema exclusivamente à falta de disciplina individual. A falta de educação financeira, o aumento do custo de vida, a facilidade de acesso ao crédito e a própria estrutura do mercado também fazem parte da equação.

O consumidor pode, por exemplo, recorrer ao crédito para enfrentar uma emergência. Em outras situações, pode utilizar um empréstimo para pagar outra dívida e acabar substituindo uma obrigação mais barata por outra mais cara.

O resultado é um ciclo no qual uma dívida serve para cobrir outra.

Mulheres de 30 a 39 anos aparecem entre os grupos mais endividados


Os dados discutidos no podcast também apontam João Pessoa como a cidade paraibana com maior número de consumidores endividados, enquanto as mulheres entre 30 e 39 anos aparecem em destaque no recorte apresentado.

Para o economista, a faixa etária ajuda a explicar parte do resultado.

É justamente um período da vida em que muitas pessoas acumulam compromissos: financiamento imobiliário, veículo, filhos, despesas domésticas e construção de patrimônio.

Há ainda uma transformação na estrutura das famílias. Muitas mulheres assumem a condição de principais responsáveis pelo orçamento doméstico.

Quando essa renda é variável ou proveniente de atividades informais, o desafio aumenta. As receitas podem oscilar de um mês para outro, enquanto aluguel, financiamentos e outras obrigações permanecem praticamente fixos.

A conta que precisa ser feita no papel


No meio de aplicativos, planilhas, inteligência artificial e bancos digitais, uma das principais ferramentas sugeridas pelo economista é também uma das mais antigas: papel e caneta.

A ideia é simples. Primeiro, colocar todas as receitas e despesas no papel. Depois, separar os gastos por categorias.

Uma das divisões fundamentais é entre despesas fixas e variáveis.

Aluguel e financiamentos, por exemplo, tendem a apresentar valores ou compromissos mais previsíveis. Já supermercado, lazer, alimentação fora de casa e algumas despesas de consumo podem variar.

A diferença é importante porque os gastos variáveis oferecem, em muitos casos, maior possibilidade de ajuste imediato.

O primeiro diagnóstico, segundo Fonseca, é descobrir quanto das receitas já está comprometido com despesas fixas. Quando esse percentual se torna muito elevado, sobra pouco espaço para lidar com imprevistos.

A lista revela o que a memória esconde


A recomendação de anotar os gastos também serve para revelar despesas que, isoladamente, parecem pequenas demais para chamar atenção.

Foi o que ocorreu, por exemplo, com o próprio apresentador do podcast, que relatou ter descoberto quatro serviços de streaming sendo pagos simultaneamente. Ao organizar os gastos, percebeu que poderia concentrar o consumo em uma das plataformas e eliminar as demais.

O exemplo mostra uma característica importante do orçamento doméstico: o problema nem sempre está em uma grande despesa, mas naquilo que passa despercebido todos os meses.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a aplicativos, assinaturas, delivery, compras por impulso e pequenas parcelas.

Fonseca relatou ainda já ter identificado, em uma consultoria, um caso de consumidor que gastava cerca de R$ 3 mil por mês com delivery e não tinha dimensão do valor porque nunca havia somado todas as compras.

A anotação transforma um gasto abstrato em um número concreto.

Uma vez por semana pode ser suficiente para começar


Organizar a vida financeira não precisa significar passar horas diariamente fazendo contas.

A orientação apresentada pelo economista é reservar um período específico da semana para revisar o orçamento. Pode ser pela manhã, à tarde ou à noite, desde que exista regularidade.

Para casais, a recomendação é incluir os dois parceiros na conversa.

Não é incomum que pessoas que vivem juntas mantenham orçamentos completamente separados, sem saber exatamente quais são os compromissos financeiros da casa. Essa falta de alinhamento pode dificultar decisões conjuntas e criar conflitos.

A proposta é transformar o controle financeiro em hábito.

Não se trata de resolver tudo em um único mês. Dependendo do nível de comprometimento já existente, a reorganização pode levar meses, especialmente quando há compras parceladas que continuarão sendo cobradas.

O dinheiro que ainda nem chegou já pode estar comprometido


Uma das contas mais importantes é olhar para o futuro.

Se o consumidor possui compras parceladas em diferentes cartões, precisa saber quanto da renda dos próximos meses já está comprometido.

Essa fotografia permite identificar o tamanho da dívida antes que ela se transforme em um problema maior.

O planejamento pode incluir diferentes “caixinhas” de despesas: essenciais, alimentação, saúde, vestuário, lazer e outras categorias relevantes para cada família.

Depois de compreender para onde o dinheiro está indo, é possível estabelecer limites para cada grupo.

A lógica é gradual: primeiro conhecer, depois organizar e, por fim, estabelecer metas.

“Se você esperar sobrar, não sobra”


A construção de uma reserva financeira também exige uma mudança de comportamento.

Em vez de gastar toda a renda e guardar apenas aquilo que eventualmente restar, Fonseca defende a ideia de separar primeiro o valor destinado à reserva e administrar o restante.

A dificuldade é especialmente grande para famílias que já vivem com orçamento apertado. Mas, mesmo nesses casos, o princípio apresentado é começar de forma compatível com a realidade financeira.

A importância da reserva aparece justamente diante dos imprevistos.

Uma despesa inesperada pode fazer uma família escolher entre pagar uma dívida, recorrer a um empréstimo ou deixar uma conta em atraso.

Sem alguma margem financeira, qualquer emergência pode transformar uma dificuldade pontual em um problema de longo prazo.

O custo de vida não desaparece quando a inflação diminui


A percepção de que a economia está melhor também pode entrar em conflito com aquilo que o consumidor encontra no supermercado.

Segundo a análise apresentada durante a entrevista, uma inflação menor não significa necessariamente preços menores. Significa que os preços estão aumentando em ritmo mais lento.

O consumidor, portanto, pode continuar sentindo que tudo está caro mesmo diante de uma redução da taxa de inflação.

O economista citou ainda o impacto acumulado dos últimos anos sobre o custo de vida e destacou que determinados produtos podem ter aumentado muito mais do que a média geral.

É essa diferença entre os indicadores macroeconômicos e a experiência cotidiana que ajuda a explicar por que uma recuperação da economia não produz automaticamente a sensação de alívio no orçamento doméstico.

Aposta não é investimento


O debate sobre endividamento também chegou às plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets.

Para Fonseca, a atividade não deve ser confundida com investimento. O problema aparece quando o consumidor passa a utilizar dinheiro destinado ao orçamento, contrai empréstimos ou vende patrimônio para continuar apostando na tentativa de recuperar perdas.

A lógica pode criar um ciclo difícil de interromper.

Segundo o economista, há ainda um componente comportamental: depois de perder dinheiro, o consumidor pode acreditar que uma nova tentativa permitirá recuperar o valor perdido. O resultado, em vez disso, pode ser uma sequência de apostas cada vez maiores.

A entrevista também abordou o uso de mecanismos de recompensa e estímulo ao comportamento repetitivo nas plataformas digitais, relacionando o fenômeno à forma como as pessoas reagem a recompensas e perdas.

A recomendação central, nesse caso, é semelhante àquela aplicada ao consumo: interromper a decisão impulsiva e avaliar racionalmente o risco.

O “eu mereço” também pesa no orçamento


Nem todo gasto nasce de uma necessidade.

Cansaço, estresse, frustração e a sensação de recompensa podem influenciar decisões de consumo. Depois de uma semana difícil, por exemplo, pedir uma refeição por aplicativo ou comprar algo pode parecer uma pequena compensação.

É o chamado impulso do “eu mereço”.

O problema surge quando esse comportamento se repete e passa a ser incorporado ao orçamento como uma despesa habitual.

Uma das estratégias sugeridas pelo economista é criar uma lista de desejos e esperar antes de comprar algo que não estava planejado.

Se a vontade desaparecer depois de algum tempo, talvez aquela compra não fosse uma necessidade.

As redes sociais e o “teatro das aparências”


A relação com o dinheiro também é influenciada pelo ambiente social.

Nas redes sociais, a vida cotidiana aparece frequentemente filtrada: viagens, carros, restaurantes, roupas, procedimentos estéticos e outros sinais de consumo são exibidos como parte de uma rotina aparentemente perfeita.

O problema é transformar essa vitrine em parâmetro para a própria vida.

Fonseca define esse fenômeno como um “teatro das aparências”. Uma pessoa pode trocar de carro para acompanhar amigos, vizinhos ou influenciadores sem que sua renda tenha aumentado o suficiente para sustentar o novo padrão.

E o custo do veículo não termina na prestação. Há combustível, seguro, impostos, manutenção e outras despesas.

O mesmo raciocínio vale para outros bens de consumo.

A comparação com a vida alheia pode levar o consumidor a assumir uma dívida para financiar um padrão de vida que não cabe em seu orçamento.

E, uma vez cometido o erro, o caminho de volta pode ser longo.

Um erro financeiro pode levar anos para ser corrigido


O economista resume o problema a partir de uma ideia simples: perder dinheiro é muito diferente de recuperá-lo.

Se alguém possui R$ 100 e perde metade, fica com R$ 50. Para voltar aos R$ 100 iniciais, não basta ganhar novamente 50%; é necessário dobrar o valor restante.

A lógica ajuda a explicar por que decisões financeiras de alto risco podem produzir consequências desproporcionais.

A construção de patrimônio, segundo Fonseca, deve ser encarada como um processo de longo prazo, e não como uma promessa de enriquecimento rápido.

A busca por retornos extraordinários pode aumentar a exposição a perdas justamente quando a preservação do patrimônio deveria ser prioridade.

Educação financeira começa antes da planilha


Para o economista, organizar as finanças não significa apenas aprender a fazer contas.

A relação com o dinheiro também é influenciada pela história de cada indivíduo, pelos hábitos construídos dentro da família e pelas experiências de escassez ou abundância vividas ao longo da vida.

Essa reflexão é um dos eixos do livro que Fonseca está finalizando.

A obra, ainda sem lançamento previsto para este ano, deve reunir experiências pessoais e profissionais e abordar a relação entre comportamento, hábitos e decisões financeiras.

O economista conta que também já passou por um período de endividamento. No início da vida profissional, comprou um veículo sem ter condições financeiras adequadas e acumulou compromissos enquanto cursava a faculdade.

Precisou recorrer a empréstimo e passou anos pagando a dívida.

A experiência pessoal acabou se transformando em parte da motivação para estudar economia e compreender melhor o funcionamento do mercado financeiro.

A dívida como sintoma, não como ponto de partida


A história ajuda a voltar ao ponto inicial da discussão.

Quando uma pessoa aparece em uma estatística de inadimplência, o número registra o resultado final de uma trajetória. Antes dele podem ter existido aumento do custo de vida, renda insuficiente, ausência de reserva, compras parceladas, crédito fácil, imprevistos e decisões tomadas sob pressão.

Por isso, olhar apenas para o consumidor inadimplente pode esconder a dimensão estrutural do problema.

A organização financeira não elimina dificuldades econômicas, nem impede que emergências aconteçam. Mas permite identificar com maior clareza o que está comprometido, quais despesas podem ser reduzidas e quais decisões podem esperar.

No fim, a recomendação mais simples talvez seja também a mais difícil: olhar para os próprios números antes de tomar uma decisão que comprometa os números do futuro.

Em uma economia na qual o crédito está disponível em poucos cliques e o consumo é estimulado continuamente, o controle pode começar com algo ainda mais simples: sentar à mesa, pegar papel e caneta e colocar todas as contas diante dos olhos.

Porque, quando o dinheiro deixa de ser apenas uma sequência de pagamentos no aplicativo e passa a ser visualizado como um orçamento, fica mais fácil perceber para onde ele está indo — e decidir, antes que seja tarde, para onde deveria ir.

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