A comparação mostra a área em 2024, o cenário logo após a obra em janeiro de 2025 e, um ano depois, a redução significativa da areia, com trechos parecidos ao perfil original da praia.
O caso potiguar funciona como exemplo prático para a discussão em João Pessoa (PB), onde a Prefeitura chegou a anunciar um projeto de engorda da orla — incluindo trechos do Bessa, Manaíra, Ponta do Seixas (entorno da falésia do Cabo Branco) e Jacarapé —, mas a iniciativa não saiu do papel.
O que é engorda de praia!
A chamada nutrição artificial de praia consiste em trazer areia de outras áreas para alargar a faixa de areia e criar um “amortecedor” contra as ondas, reduzindo impactos da erosão marinha sobre a orla urbana, equipamentos públicos e imóveis. É uma técnica usada no Brasil e no exterior, mas que depende de estudos detalhados, monitoramento e, muitas vezes, manutenção periódica, já que o mar redistribui os sedimentos conforme correntes e marés.
Mesmo após a obra, parte relevante da areia retornou ao sistema natural ao longo do tempo, o que levanta a discussão sobre custo-benefício, impactos ambientais e durabilidade dessas intervenções.
Situação em João Pessoa
Em outubro de 2021, a o prefeito Cícero Lucena anunciou estudos para um projeto de alargamento da faixa de areia em diferentes praias da capital. Houve contratação para elaborar o projeto conceitual e modelagens técnicas, etapa necessária antes de qualquer obra.
No entanto, em julho de 2023, a Prefeitura cancelou o contrato com a empresa responsável pelos estudos. À época, após intensas reações de ambientalistas, a administração informou que redirecionaria o foco para requalificação da orla, recuperação da falésia do Cabo Branco e ampliação do debate com universidades e órgãos ambientais antes de retomar uma proposta desse porte. Desde então, não há cronograma para a execução de uma engorda de praias em João Pessoa.
Questionamentos e entraves
O projeto enfrentou pressão de órgãos de controle e questionamentos técnicos. Houve apurações sobre o processo de licitação e apontamentos de possíveis irregularidades, além do arquivamento de análises no Tribunal de Contas do Estado após a desistência dos contratos.
Paralelamente, cientistas e ambientalistas alertaram que a engorda pode não resolver a erosão no longo prazo e pode deslocar o problema para outros trechos da costa se não for cuidadosamente planejada.
Segundo especialistas, a discussão envolve segurança de banhistas, proteção de infraestrutura urbana, preservação ambiental e uso de recursos públicos.
Em João Pessoa, o projeto não avançou por impasses técnicos e administrativos, além de questionamentos legais, e hoje a estratégia oficial prioriza soluções de menor impacto e recuperação natural.
O viral do Morro do Careca não decide o debate, mas qualifica a conversa: obras de engorda exigem estudos robustos, transparência, monitoramento e manutenção. Para a capital paraibana, a lição prática é clara: qualquer retomada do tema precisa combinar viabilidade técnica, segurança jurídica e responsabilidade ambiental — sob pena de repetir intervenções caras com efeitos passageiros.
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