Paraíba
Confusão por cartazes políticos na UFCG termina com três pessoas detidas e denúncia de injúria racial
Publicado em 08/10/2026 às 17:48 Por Redação
Uma confusão envolvendo cartazes políticos terminou com três pessoas detidas pela Polícia Militar na manhã desta quinta-feira (8), no campus da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Campina Grande. O tumulto começou após a retirada de materiais relacionados a uma mobilização política que estava sendo organizada por estudantes.
Segundo informações apuradas pela TV Paraíba e por veículos locais, os cartazes e adesivos faziam referência a uma manifestação de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contrária ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Três homens teriam chegado ao campus e iniciado a retirada do material, provocando reação de estudantes que estavam no local.
A discussão evoluiu para empurrões e tumulto.
Professor relata retirada de cartazes
O professor da UFCG João Lima Neto, que presenciou a situação, afirmou que os homens teriam se apresentado como fiscais eleitorais e também como fiscais da própria universidade.
Segundo o docente, um deles afirmou que já havia retirado um cartaz anteriormente e que faria o mesmo novamente. Quando o professor tentou impedir a retirada, houve empurrões.
Não havia, até esta atualização, confirmação oficial de que os homens exerciam qualquer função de fiscalização eleitoral ou institucional.
Denúncia de injúria racial será apurada
Durante a confusão, também foi registrada uma denúncia de injúria racial.
Os relatos iniciais apontavam que uma estudante idosa teria sido alvo da ofensa. Outras apurações publicadas ao longo desta quinta-feira mencionam duas mulheres que teriam sido ofendidas durante o episódio.
As pessoas envolvidas foram orientadas a registrar boletim de ocorrência para que as circunstâncias sejam apuradas.
A existência da denúncia não significa que o crime já esteja comprovado. A eventual responsabilização dependerá da investigação policial e das demais etapas legais.
PM conduziu envolvidos à delegacia
Durante o tumulto, dois dos homens que participavam da retirada dos cartazes inicialmente deixaram o campus em uma motocicleta.
Um terceiro foi conduzido pela Polícia Militar à Central de Polícia sob escolta, diante do receio de que pudesse ser agredido por estudantes. Posteriormente, outros relatos locais informaram que os dois homens que haviam deixado o local também foram encaminhados à unidade policial.
Um estudante também foi conduzido pela PM. Segundo relato de um policial durante a ocorrência, ele teria cuspido e atingido um agente.
As circunstâncias dessa abordagem também deverão ser apuradas.
OAB e UFCG acompanharam envolvidos
De acordo com o professor João Lima Neto, representantes da universidade, um advogado e integrantes de um setor da Ordem dos Advogados do Brasil ligado ao acompanhamento de casos de racismo seguiram com os envolvidos até a delegacia.
A UFCG informou inicialmente que realizaria uma coletiva de imprensa às 16h desta quinta-feira para tratar do episódio.
Até esta atualização, não foi localizada publicação oficial da universidade detalhando as conclusões da coletiva ou apresentando uma versão institucional consolidada sobre o ocorrido.
Confusão ocorreu antes de manifestação política
O episódio aconteceu enquanto estudantes se organizavam para uma manifestação política prevista para a tarde desta quinta-feira.
A UFCG possui regras específicas para o período eleitoral. As normas de comunicação institucional da universidade estão em vigor entre 4 de julho e 25 de outubro de 2026 e estabelecem restrições para manifestações político-partidárias em canais institucionais e para agentes públicos quando atuam em nome da instituição.
Essas regras, porém, não significam automaticamente que toda manifestação política realizada por estudantes dentro da universidade seja proibida. A análise depende do local, da forma da manifestação, do uso ou não de canais e recursos institucionais e das normas eleitorais aplicáveis ao caso concreto.
A confusão desta quinta-feira deverá ser analisada pelas autoridades tanto em relação à retirada dos cartazes quanto às denúncias de injúria racial e às demais ocorrências registradas durante a intervenção policial.
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