No vídeo publicado no perfil @rosafaryn, no TikTok, Rosa conta que os dois já conseguiram emprego após a mudança. Seba trabalha de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h45, com uma hora de intervalo, e recebeu a cesta básica como benefício da empresa.
Enquanto retiram os produtos da embalagem, os argentinos comentam as diferenças entre os alimentos consumidos nos dois países. A cesta contém arroz, feijão, café, leite em pó, macarrão, óleo, açúcar, sal, biscoitos, farinha de mandioca, farinha de milho e goiabada. Eles acabaram estranhando um pouco o fiambre.
Alguns itens despertam a curiosidade do casal. Ao encontrar a goiabada, eles comparam o doce a uma espécie de geleia argentina. Já o 'flocão', tão famoso na Paraíba para o preparo do cuscuz, trouxe dúvidas sobre as possibilidades de preparo.
"Se alguém souber alguma receita que podemos fazer com isso, deixe nos comentários", pedem aos seguidores.
O arroz e o feijão também chamam a atenção dos estrangeiros, que observam a presença frequente dos alimentos nas refeições brasileiras.
Rosa explica que também está empregada, mas recebe alimentação diariamente na empresa onde trabalha, diferentemente do companheiro, que ganhou a cesta básica.
"No meu trabalho, por exemplo, não nos dão cesta porque nos dão comida todos os dias. E quase todos os dias tem feijão", relata.
Entre os produtos apresentados, uma embalagem faz referência à Rei da Feira, empresa que comercializa e distribui cestas básicas e possui sede no Distrito Industrial de João Pessoa.
Ao final, o casal avalia positivamente os alimentos recebidos, mesmo reconhecendo que alguns não fazem parte dos hábitos alimentares argentinos.
"Talvez tenha produtos que nós, como argentinos, não consumimos ou não estamos acostumados a consumir. Mas, na verdade, a cesta é muito boa", afirmam.
Por que escolheram João Pessoa?
Em outro vídeo publicado no mesmo perfil, Rosa Faryn explica os motivos que levaram o casal a escolher João Pessoa para começar uma nova vida no Brasil.
Segundo ela, a decisão ocorreu após conhecer diferentes destinos do Nordeste, incluindo Maceió, Porto de Galinhas, Recife e Pipa, no Rio Grande do Norte.
Rosa conta que gostou especialmente de Pipa, mas considerou que o destino, apesar das praias e da presença de uma grande comunidade argentina, não oferecia a estrutura urbana que a família procurava para morar.
"Na verdade, nós procurávamos uma cidade com mais infraestrutura. Por isso escolhemos João Pessoa. É a capital da Paraíba, é uma cidade grande, tem muitos shoppings, estabelecimentos, prédios e muitas coisas para fazer", explica.
A argentina destaca que encontrou na capital paraibana uma combinação entre praias, clima quente, serviços, opções de moradia e oportunidades de trabalho.
Na avaliação dela, João Pessoa oferece alternativas para diferentes condições financeiras, além de escolas, parques e atividades de lazer. Rosa também considera que o crescimento do turismo pode ampliar as oportunidades de emprego, especialmente nos setores de comércio, gastronomia e serviços.
"Escolhemos João Pessoa porque é uma cidade com infraestrutura em crescimento", afirma.
A oferta de serviços de saúde e a possibilidade de viver em uma capital sem abrir mão da tranquilidade e da proximidade com as praias também foram mencionadas como fatores que pesaram na decisão.
Da cidade mais austral da Argentina ao litoral paraibano
Em outra publicação, Rosa revela que a mudança para o Brasil representou a realização de um desejo antigo. Antes de chegar à Paraíba, ela e o companheiro viviam havia quatro anos em Ushuaia, cidade localizada no extremo sul da Argentina, conhecida pelas baixas temperaturas e pela proximidade com a região da Terra do Fogo.
Originalmente de Misiones, no nordeste argentino, o casal havia se mudado para Ushuaia, onde construiu uma rotina profissional e pessoal. Apesar de reconhecer as qualidades da cidade, Rosa conta que o frio intenso era um dos principais motivos de insatisfação.
Ela explica que desejava viver em um lugar quente, onde pudesse aproveitar mais atividades ao ar livre e ter uma rotina diferente.
"A vida nem sempre se trata de ter tudo materialmente, mas também de ter qualidade de vida. Eu não gosto do frio, sofro muito com ele. Sempre quis viver no Brasil e adoro o calor", relata.
A decisão exigiu mudanças importantes. Em um dos vídeos gravados antes da viagem, Rosa conta que pediu demissão do emprego e que o casal começou a vender os pertences da casa. Os dois também colocaram à venda um estabelecimento comercial que mantinham em Ushuaia.
Mesmo diante das incertezas de recomeçar a vida em outro país, a argentina afirma que preferiu realizar o sonho a continuar adiando a experiência.
"Eu não quero chegar aos 40 anos e me perguntar por que não fui morar no Brasil, por que não vivi essa experiência", declarou.
Agora, já instalados no Brasil e empregados, Rosa e Seba compartilham nas redes sociais situações do cotidiano, descobertas culturais e experiências de adaptação à nova realidade.
O vídeo da cesta básica, que ganhou repercussão nas redes sociais, mostra um desses momentos: o primeiro contato dos argentinos com alimentos comuns à mesa dos brasileiros, mas que ainda despertam curiosidade em quem chega de outro país.
