No teaser divulgado nas redes sociais, a mensagem é direta: “Voltamos”.
A publicação anuncia uma Studio Live Session de Teresa Bandolera, uma das músicas mais associadas à trajetória do grupo, já disponível nas plataformas digitais. O texto ainda antecipa que outras novidades estão a caminho.
O anúncio confirma uma movimentação que vinha sendo construída discretamente nos últimos meses e mexe com uma geração que viu o Capim Cubano sair dos bares de João Pessoa para grandes casas de shows, programas de televisão e apresentações para multidões pelo país.
‘Teresa Bandolera’ abre nova fase
Teresa Bandolera se transformou em uma das marcas do Capim Cubano durante o período de maior popularidade da banda, ao lado de faixas como “Mentirosa” e “Eldorado”. Registros da época mostram que essas músicas já estavam entre as mais pedidas pelo público em meados dos anos 2000.
Agora, a faixa reaparece em uma nova gravação, no formato de sessão de estúdio, funcionando como uma ponte entre a fase que transformou o grupo em fenômeno e o projeto que começa a ser apresentado em 2026.
A mensagem divulgada nas redes resume essa proposta: “Vinte anos depois”.
Capim Cubano nasceu em João Pessoa
O projeto nasceu a partir da ideia do guitarrista Clodoaldo Mucarbel, que buscava uma sonoridade diferente daquela predominante no circuito local. A opção foi pelos ritmos latinos, com repertório cantado principalmente em espanhol e influências de salsa, merengue, cúmbia e rumba.
A fórmula encontrou público rapidamente.
Segundo registros da época, o primeiro trabalho vendeu dezenas de milhares de cópias e, em pouco tempo, o grupo deixou apresentações menores para assumir uma intensa agenda de shows pelo Nordeste. Em 2008, a banda chegou a manter uma média de aproximadamente 25 apresentações por mês.
Yegor Gómez marcou fase mais conhecida
Com formação musical desde a infância e passagem pela Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba, Yegor assumiu os vocais do grupo em 2005.
A presença de palco, as maracas, as coreografias e o espanhol utilizado no repertório se tornaram elementos facilmente reconhecíveis do Capim Cubano.
Na formação mais conhecida, Yegor dividia o grupo com nomes como Clodoaldo Mucarbel, Stênio Alencar e Lula Nicácio, além de músicos de apoio, teclados, percussão e metais.
Sucesso saiu da Paraíba e ganhou o país
Em 2005, o grupo fez uma de suas primeiras aparições de alcance nacional após ser convidado para um especial da Turma do Didi, na TV Globo. Depois vieram participações em atrações como Domingão do Faustão, Programa do Jô, Hebe, Eliana, Sabadaço e outros programas.
O Capim Cubano também passou a circular com frequência por Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e outros estados.
Em Recife, o grupo gravou um dos trabalhos mais lembrados da carreira no então Chevrolet Hall. Uma reportagem de 2006 registrou expectativa de mais de 10 mil pessoas para a gravação do DVD. Relatos posteriores apontam público na casa dos 14 mil a 16 mil espectadores.
O DVD gravado no Recife chegou posteriormente a ser exibido internacionalmente pela Globo Internacional.
Show em Tambaú marcou a história da banda
Em 24 de janeiro de 2009, o Capim Cubano realizou um grande show na Praia de Tambaú, em João Pessoa.
Fontes da época e registros posteriores apontam público superior a 100 mil pessoas, com estimativas chegando a cerca de 150 mil. O espetáculo contou com participações como Zé Ramalho, Marina Elali e Walkyria Santos e deu origem ao DVD Onde o Sol Nasce Primeiro.
A apresentação consolidou uma trajetória que havia começado poucos anos antes em espaços muito menores da capital paraibana.
Primeiro CD teve dezenas de milhares de cópias vendidas
Há registros de aproximadamente 60 mil a 70 mil cópias comercializadas do primeiro trabalho, números expressivos para uma banda regional em um mercado anterior à consolidação do streaming.
A discografia passou a reunir trabalhos como Capim Cubano ao Vivo, Teresa Bandolera, gravações ao vivo no Chevrolet Hall e o álbum La Fiesta.
A Som Livre também chegou a distribuir nacionalmente um dos DVDs do grupo.
Banda encerrou atividades e integrantes seguiram outros caminhos
Yegor deixou o grupo em 2009 para seguir projetos próprios, voltou posteriormente e participou de uma nova fase. Em 2012, a banda ainda chegou a planejar uma mudança para São Paulo e projetos internacionais.
As atividades regulares acabaram encerradas naquele período.
Em 2019, parte da formação chegou a se reunir para uma curta turnê de caráter nostálgico, já utilizando o nome Capim. O próprio Yegor definiu aquele retorno como uma confraternização, e não como retomada definitiva da banda.
Depois disso, os integrantes seguiram novamente caminhos diferentes.
De astro da música a construtor nos Estados Unidos
Ele se mudou para os Estados Unidos em 2016, após participar do programa SuperStar, da Globo, com o projeto Yegor y Los Bandoleros.
Longe da fase de grandes shows, passou a trabalhar na construção civil.
Yegor contou que atuou em demolição, pintura, instalação de pisos e diferentes serviços até decidir estudar formalmente a área. Depois de três anos de formação em Construction Management, passou a trabalhar como construtor licenciado.
Nos Estados Unidos, começou a atuar principalmente na construção de casas de alto padrão e residências populares e também passou a dar aulas para pessoas interessadas em se qualificar como construtores.
Mesmo afastado profissionalmente da música durante boa parte desse período, o antigo vocalista nunca descartou completamente um reencontro com o repertório que marcou sua carreira.
Retorno já vinha sendo sugerido
Yegor confirmou nas redes sociais a participação de Léo Noronha, antigo tecladista do Capim Cubano, em um novo projeto e escreveu:
“Primeiro confirmado. Agora você pode tirar suas próprias conclusões.”
Naquele momento, ainda não havia um anúncio oficial de retorno da banda, mas a publicação já provocava especulações entre fãs.
A ideia de celebrar os 20 anos também não era completamente nova.
Em entrevista concedida em 2023, Yegor já dizia pensar em uma turnê comemorativa relacionada aos 20 anos de sua trajetória com o Capim Cubano.
Três anos depois, a movimentação finalmente ganhou uma apresentação pública mais clara.
“Voltamos”
“VOLTAMOS”, diz o anúncio.
O teaser apresenta Teresa Bandolera em uma Studio Live Session, pede que o público ouça a nova gravação e termina com outra mensagem:
“Que venham as próximas.”
Ainda não foram divulgados oficialmente todos os detalhes sobre a formação desta nova fase, calendário de shows ou se haverá uma turnê completa.
O lançamento, porém, representa algo maior para quem viveu aquela época.
Há pouco mais de duas décadas, uma banda nascida em João Pessoa convenceu milhares de brasileiros a cantar em espanhol, levou salsa e merengue para festas nordestinas e transformou Teresa Bandolera em trilha sonora de uma geração.
Agora, depois de carreiras separadas, mudanças de país e até uma vida profissional distante dos palcos, o Capim Cubano volta a dizer aquilo que muitos fãs esperavam ler novamente:
“Voltamos.”
