A primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz, se emocionou nesta quarta-feira (14) ao criticar declarações da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL) sobre feminicídio. Ao comentar o assunto, Camila revelou que a própria mãe foi morta quando ela tinha 10 anos e classificou como “assustadora” a posição da parlamentar.
“Quando a gente fala de mulher, tem lutas que nos são muito comuns e nos são muito próprias”, afirmou Camila antes de relatar a experiência familiar.
“Aos dez anos de idade, minha mãe foi vítima de feminicídio. Então você abrir uma televisão hoje e você ver uma mulher falar que feminicídio não existe é assustador”, disse.
A primeira-dama também reagiu à argumentação de Campopiano de que o conceito seria uma espécie de construção semântica.
“E ouvir alguém eleita pela vontade do povo, pela democracia, dizer que feminicídio é uma conjunção, arranjo semântico, é assustador. Que mundo meus filhos vão viver?”, questionou Camila.
O que Eduarda Campopiano disse
As declarações de Eduarda Campopiano ganharam repercussão nacional depois das eleições de 4 de outubro.
Em entrevista publicada em maio, durante participação no programa Cortadas do Firmino, a então vereadora de Praia Grande tratou diretamente do tema em um trecho intitulado “Feminicídio não existe”.
Em publicação anterior nas redes sociais, Campopiano afirmou que o feminicídio seria uma “armadilha retórica” e argumentou que assassinatos de mulheres não ocorreriam simplesmente pelo fato de elas serem mulheres. A deputada eleita defende que esses casos sejam tratados por outras categorias criminais e critica a interpretação feminista do fenômeno.
A posição voltou ao centro do debate depois que Campopiano foi eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos, tornando-se a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa paulista em 2026.
Feminicídio existe como crime específico no Brasil
Independentemente da posição política ou conceitual da deputada eleita, feminicídio é uma categoria expressamente prevista no Código Penal brasileiro.
Desde a Lei nº 14.994, de 2024, o feminicídio passou a ser um crime autônomo, previsto no artigo 121-A do Código Penal.
A legislação define feminicídio como matar uma mulher por razões da condição do sexo feminino. A lei considera que essas razões estão presentes quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão, podendo aumentar em determinadas circunstâncias.
Portanto, a discussão pública pode envolver críticas à tipificação ou ao conceito jurídico, mas não altera o fato de que o feminicídio existe legalmente no ordenamento penal brasileiro.
Fala da deputada já provocou outras reações
A declaração de Campopiano também foi criticada por outras figuras públicas.
Nos últimos dias, a jornalista Adriana Araújo comentou a posição durante programa da Band, enquanto lideranças e representantes da segurança pública também se manifestaram contra a afirmação de que o feminicídio não existe.
A repercussão ocorre em meio à projeção nacional conquistada por Campopiano após a votação expressiva nas urnas e pela circulação de trechos de entrevistas e publicações antigas nas redes sociais.
Camila atua em programa de enfrentamento à violência contra a mulher
Além de primeira-dama, Camila Mariz atua na coordenação do programa Antes que Aconteça, voltado ao enfrentamento da violência contra mulheres na Paraíba.
Ao responder à fala de Campopiano, ela relacionou o debate público à própria experiência familiar e às políticas de proteção às mulheres desenvolvidas no estado.
A reação da primeira-dama também colocou no centro da discussão um ponto objetivo: enquanto há divergências políticas sobre a forma como o tema deve ser tratado, o feminicídio possui definição própria na legislação brasileira e integra atualmente a política criminal de enfrentamento à violência contra a mulher.

