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Paraíba

Camila Mariz se emociona ao rebater fala de Eduarda Campopiano sobre feminicídio: ‘É assustador’

Publicado em 14/10/2026 às 22:46 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz, se emocionou nesta quarta-feira (14) ao criticar declarações da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL) sobre feminicídio. Ao comentar o assunto, Camila revelou que a própria mãe foi morta quando ela tinha 10 anos e classificou como “assustadora” a posição da parlamentar.

“Quando a gente fala de mulher, tem lutas que nos são muito comuns e nos são muito próprias”, afirmou Camila antes de relatar a experiência familiar.

“Aos dez anos de idade, minha mãe foi vítima de feminicídio. Então você abrir uma televisão hoje e você ver uma mulher falar que feminicídio não existe é assustador”, disse.

A primeira-dama também reagiu à argumentação de Campopiano de que o conceito seria uma espécie de construção semântica.

“E ouvir alguém eleita pela vontade do povo, pela democracia, dizer que feminicídio é uma conjunção, arranjo semântico, é assustador. Que mundo meus filhos vão viver?”, questionou Camila.

O que Eduarda Campopiano disse

As declarações de Eduarda Campopiano ganharam repercussão nacional depois das eleições de 4 de outubro.

Em entrevista publicada em maio, durante participação no programa Cortadas do Firmino, a então vereadora de Praia Grande tratou diretamente do tema em um trecho intitulado “Feminicídio não existe”.

Em publicação anterior nas redes sociais, Campopiano afirmou que o feminicídio seria uma “armadilha retórica” e argumentou que assassinatos de mulheres não ocorreriam simplesmente pelo fato de elas serem mulheres. A deputada eleita defende que esses casos sejam tratados por outras categorias criminais e critica a interpretação feminista do fenômeno.

A posição voltou ao centro do debate depois que Campopiano foi eleita deputada estadual por São Paulo com 1.956.238 votos, tornando-se a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa paulista em 2026.

Feminicídio existe como crime específico no Brasil

Independentemente da posição política ou conceitual da deputada eleita, feminicídio é uma categoria expressamente prevista no Código Penal brasileiro.

Desde a Lei nº 14.994, de 2024, o feminicídio passou a ser um crime autônomo, previsto no artigo 121-A do Código Penal.

A legislação define feminicídio como matar uma mulher por razões da condição do sexo feminino. A lei considera que essas razões estão presentes quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena prevista é de 20 a 40 anos de reclusão, podendo aumentar em determinadas circunstâncias.

Portanto, a discussão pública pode envolver críticas à tipificação ou ao conceito jurídico, mas não altera o fato de que o feminicídio existe legalmente no ordenamento penal brasileiro.

Fala da deputada já provocou outras reações

A declaração de Campopiano também foi criticada por outras figuras públicas.

Nos últimos dias, a jornalista Adriana Araújo comentou a posição durante programa da Band, enquanto lideranças e representantes da segurança pública também se manifestaram contra a afirmação de que o feminicídio não existe.

A repercussão ocorre em meio à projeção nacional conquistada por Campopiano após a votação expressiva nas urnas e pela circulação de trechos de entrevistas e publicações antigas nas redes sociais.

Camila atua em programa de enfrentamento à violência contra a mulher

Além de primeira-dama, Camila Mariz atua na coordenação do programa Antes que Aconteça, voltado ao enfrentamento da violência contra mulheres na Paraíba.

Ao responder à fala de Campopiano, ela relacionou o debate público à própria experiência familiar e às políticas de proteção às mulheres desenvolvidas no estado.

A reação da primeira-dama também colocou no centro da discussão um ponto objetivo: enquanto há divergências políticas sobre a forma como o tema deve ser tratado, o feminicídio possui definição própria na legislação brasileira e integra atualmente a política criminal de enfrentamento à violência contra a mulher.
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