Reeleito deputado federal pela Paraíba, Cabo Gilberto recebeu 267.142 votos e foi o candidato mais votado para o cargo no estado, segundo a totalização do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).
Questionado sobre o desempenho do PL e possíveis mudanças no comportamento do eleitorado em comparação com as eleições anteriores, o parlamentar associou o resultado à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao tratamento que, na avaliação dele, teria sido dispensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu gosto muito de história e, no final da Primeira Guerra Mundial, Winston Churchill e os vencedores da Primeira Guerra Mundial humilharam a Alemanha nazista. Antes de ser Alemanha nazista”, declarou.
Na sequência, Cabo Gilberto estabeleceu um paralelo com o cenário político brasileiro.
“Então, a Suprema Corte vem humilhando o povo brasileiro, a liberdade do povo brasileiro, junto nesse conluio com o PT. Então, a população está vendo isso. Tem um certo limite”, afirmou.
As declarações representam a avaliação política do deputado. Não foram apresentados na entrevista elementos que comprovem a existência do “conluio” mencionado pelo parlamentar.
Deputado nega comparação entre Bolsonaro e Hitler
Cabo Gilberto rejeitou essa interpretação e afirmou que utilizava apenas um episódio histórico como referência.
“Não, comandante, não. Eu estou dando um exemplo histórico que aconteceu na humanidade. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Nada, zero”, respondeu.
O parlamentar sustentou que as condições impostas à Alemanha após a Primeira Guerra Mundial contribuíram para o fortalecimento de Hitler e afirmou que, em sua avaliação, a Segunda Guerra Mundial poderia não ter ocorrido caso o país derrotado tivesse recebido outro tratamento.
“Se os aliados tivessem vencido a guerra, como venceram, e não tivessem humilhado o país, eles não teriam Segunda Guerra, porque Hitler não ficaria forte o suficiente com o apoio da população por conta disso”, declarou.
Tratado de Versalhes contribuiu para ambiente de instabilidade, mas ascensão nazista teve múltiplas causas
O Tratado de Versalhes, assinado em 1919, impôs à Alemanha perdas territoriais, limitações militares, responsabilização pela guerra e pagamento de reparações. O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos aponta que a derrota e o acordo de paz tiveram papel relevante no ambiente que favoreceu posteriormente o nazismo.
A ascensão de Hitler, entretanto, não é atribuída historicamente a uma causa única. Entre os fatores apontados por historiadores estão os efeitos da Grande Depressão, a crise política da República de Weimar, o crescimento do apoio popular ao Partido Nazista, o antissemitismo, a propaganda, a violência política e articulações de setores conservadores que contribuíram para a chegada de Hitler ao poder em 1933.
Também há uma imprecisão na forma como Churchill aparece na declaração. O Tratado de Versalhes foi imposto à Alemanha pelas potências vencedoras da Primeira Guerra, com protagonismo dos governos aliados, especialmente França, Reino Unido e Estados Unidos; Winston Churchill não era primeiro-ministro britânico naquele período.
Cabo Gilberto defende responsabilização de Alexandre de Moraes
Cabo Gilberto defendeu a saída do magistrado do STF e afirmou que, em sua avaliação, uma eventual responsabilização deveria ocorrer sem “humilhação”.
“A gente quer fazer justiça e a justiça é cassar o ministro Xandão, para ele pagar pelos seus crimes. Mas sem ultrapassar a questão da humilhação. A gente tem que respeitar”, afirmou.
A declaração expressa a posição do parlamentar. O ministro Alexandre de Moraes não possui condenação criminal que corresponda aos “crimes” mencionados por Cabo Gilberto na entrevista.
Ao ser questionado se considerava que a situação envolvendo Bolsonaro havia influenciado diretamente o comportamento dos eleitores, o deputado respondeu:
“Eu acho que não, tenho certeza. As urnas disseram isso, Luiz.”
PL ampliou representação na Câmara
Na Paraíba, Cabo Gilberto liderou individualmente a votação para deputado federal, com 267.142 votos, equivalentes a 11,11% dos votos válidos destinados ao cargo.

