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Paraíba

Autorização para supressão de Mata Atlântica em Bananeiras gera preocupação e pedido de fiscalização

Publicado em 02/09/2026 às 13:57 Por Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Uma autorização concedida pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) para a supressão de vegetação em uma área localizada na entrada de Bananeiras, no Brejo paraibano, tem provocado preocupação entre pessoas que defendem a preservação ambiental no município. O local é apontado como área destinada à implantação de um empreendimento residencial da construtora Oca.

A principal preocupação está relacionada à presença de vegetação de Mata Atlântica na área e aos possíveis impactos da intervenção sobre a paisagem de uma das principais entradas da cidade. Bananeiras tem ampliado a atividade turística e imobiliária nos últimos anos, tendo suas características naturais entre os elementos que contribuem para a atração de visitantes e novos investimentos.

Diante da possibilidade de retirada de árvores e alteração da cobertura vegetal, há um pedido para que o procedimento seja acompanhado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelos órgãos ambientais antes do início da intervenção.

A solicitação é para que sejam analisados o processo de licenciamento, os estudos ambientais apresentados, as autorizações concedidas e as eventuais condicionantes estabelecidas para a supressão.

Pedido de acompanhamento pelo Ministério Público

O apelo também envolve uma atuação preventiva do MPPB. A intenção é que o órgão tenha acesso ao processo e avalie se todas as exigências previstas na legislação ambiental foram observadas antes da execução da intervenção.

A existência de uma autorização administrativa não impede a fiscalização por outros órgãos competentes nem eventual atuação do Ministério Público ou do Judiciário caso sejam identificadas irregularidades. Por isso, os defensores do acompanhamento argumentam que uma análise anterior à retirada da vegetação permitiria esclarecer eventuais dúvidas sobre a regularidade do procedimento.

O procurador-geral de Justiça da Paraíba, Leonardo Quintans, é citado no pedido para que o Ministério Público avalie a situação.

Proteção da Mata Atlântica

A preocupação também está relacionada à legislação específica de proteção do bioma. A Lei Federal nº 11.428/2006 estabelece regras para a utilização e a proteção da vegetação nativa da Mata Atlântica, considerando, entre outros aspectos, o estágio de regeneração da área e o tipo de intervenção pretendida.

Nesse contexto, também há um pedido para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), dentro de suas atribuições, acompanhe a situação e verifique a regularidade ambiental do procedimento.

Expansão imobiliária coloca preservação em debate

O episódio ocorre em meio à expansão do setor imobiliário de Bananeiras. O município se consolidou nos últimos anos como um dos principais destinos turísticos do Brejo paraibano e passou a receber novos condomínios, empreendimentos residenciais e investimentos relacionados ao turismo e ao mercado de imóveis.

O crescimento econômico, porém, traz o desafio de conciliar a ocupação urbana com a preservação das características ambientais e paisagísticas da região.

A discussão levantada em torno da área não questiona, necessariamente, a implantação de novos empreendimentos, mas busca colocar em debate os limites da expansão imobiliária em locais onde existe vegetação nativa e potencial impacto ambiental.

Neste momento, a principal reivindicação é para que eventuais dúvidas sobre o processo de licenciamento sejam esclarecidas antes da retirada da vegetação. A expectativa dos grupos que defendem o acompanhamento é de que os órgãos responsáveis avaliem o caso com transparência e, se necessário, adotem medidas preventivas.

O episódio amplia uma discussão que vai além de um único empreendimento: como Bananeiras poderá conciliar o crescimento turístico e imobiliário com a preservação do patrimônio natural que também contribuiu para a valorização do município.

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