Pela primeira vez, os dois réus compareceram presencialmente diante do juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da 2ª Vara da Comarca de Bayeux, para prestar interrogatório. O momento foi considerado crucial para o andamento do caso, já que as declarações poderão influenciar a decisão sobre a manutenção da prisão preventiva ou uma eventual liberdade provisória, já negada em outras ocasiões.
A movimentação foi intensa desde as primeiras horas da manhã. Hytalo Santos chegou ao fórum mais cedo. Em seguida, a mãe, assessores e amigos, entre eles vários influenciadores que demonstraram apoio. A presença dele atraiu dezenas de seguidores, que se concentraram na frente do prédio para tirar fotos, tietar os influencers e acompanhar o momento.
Também esteve presente Kamylinha, diretamente ligada ao processo. Ela chegou em silêncio, sem falar com a imprensa nem com o público, entrando rapidamente no local.
Durante a sessão, foram ouvidas duas testemunhas de defesa apontadas como decisivas para o caso. Na primeira audiência, realizada por videoconferência, já haviam sido apresentados HDs com dados de oito celulares apreendidos e depoimentos de testemunhas de acusação, reunidos em investigações conduzidas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
Atualmente, Hytalo e Euro estão presos no Presídio do Roger, em João Pessoa, desde a transferência autorizada pela Justiça em 28 de agosto. A prisão preventiva foi decretada no dia 15 do mesmo mês, com o argumento de evitar destruição de provas e intimidação de testemunhas.
O caso tramita sob sigilo parcial e apura suspeitas de exploração de menores em conteúdos digitais. A defesa de Hytalo afirma que o influenciador nega todas as acusações e tem colaborado com as investigações.
A repercussão nacional começou após o vídeo “Adultização”, publicado pelo influenciador Felca, em 6 de agosto. O conteúdo denunciava a exposição de crianças e adolescentes em contextos inapropriados nas redes sociais e citava o nome de Hytalo, o que intensificou a pressão pública e acelerou as medidas judiciais.
Segundo o delegado Carlos Othon, responsável pela transferência dos réus, o voo de São Paulo até João Pessoa ocorreu “sem intercorrências” e ambos “se mostraram colaborativos durante todo o trajeto”.
Após a audiência desta quarta-feira, o Ministério Público deve apresentar as alegações finais, etapa que antecede a sentença.
