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Paraíba

Após quatro anos sem entrar no mar, turista de Manaus se emociona ao tomar banho na praia de João Pessoa

Publicado em 03/11/2026 às 12:36 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
Depois de quatro anos sem conseguir entrar no mar, o turista José Rocha, natural de Manaus, no Amazonas, viveu um momento de emoção durante sua primeira visita a João Pessoa. Diagnosticado com a síndrome de Guillain-Barré e usuário de cadeira de rodas, ele voltou a sentir as ondas do mar graças a um projeto gratuito de acessibilidade que funciona na orla da capital paraibana.

A experiência aconteceu por meio do projeto Acesso Cidadão, iniciativa que oferece atividades de lazer, esporte e cultura para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. José conheceu o trabalho pelas redes sociais e decidiu participar durante sua passagem pela Paraíba.

Há quatro anos, ele enfrenta limitações de mobilidade provocadas pela síndrome de Guillain-Barré, uma condição neurológica rara e autoimune na qual o sistema imunológico ataca os nervos periféricos. A doença pode causar fraqueza muscular intensa e até paralisia.

Desde o diagnóstico, José utiliza cadeira de rodas e realiza sessões de fisioterapia e hidroterapia para recuperar os movimentos. Segundo ele, a recuperação tem sido lenta e exige dedicação.

“Eu fui acometido da síndrome de Guillain-Barré e estou há quatro anos em cadeira de rodas. No momento, faço fisioterapia e hidroterapia, mas é muito lento o processo de recuperação”, relatou.

Mesmo já tendo conhecido o mar anteriormente, José não conseguia aproveitar um banho de mar desde o início das limitações de mobilidade. A oportunidade de retornar à água, com o apoio da equipe do projeto, representou a retomada de uma experiência que parecia distante.

A emoção ficou evidente no momento em que ele conseguiu entrar no mar. Em entrevista ao g1 Paraíba, o turista destacou que a iniciativa oferece mais do que lazer, pois também contribui para que pessoas com deficiência se sintam incluídas e valorizadas.

“Foi uma experiência muito grande. Fiquei muito feliz, muito, muito emocionado de ter entrado no mar”, afirmou José.

O projeto Acesso Cidadão funciona há aproximadamente 14 anos e realiza atividades gratuitas nas manhãs de sábado, na Praia de Cabo Branco, em frente à Fundação Casa de José Américo, em João Pessoa.

A iniciativa reúne voluntários, participantes e familiares para promover experiências que muitas vezes são dificultadas pela falta de acessibilidade nas praias. Além do banho de mar assistido, o projeto desenvolve atividades esportivas, culturais e de convivência.

O coordenador, Genilson Lima, também utiliza cadeira de rodas. Ele ficou tetraplégico após um acidente durante um mergulho em uma piscina e recuperou parte dos movimentos ao longo do tempo.

Por conhecer pessoalmente as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência, Genilson afirma que acompanha com emoção cada participante que consegue realizar atividades como entrar no mar.

Segundo ele, o projeto mantém suas atividades ao longo do ano, inclusive durante o inverno, e conta com a participação de voluntários e familiares para proporcionar segurança e acolhimento aos beneficiários.

A experiência de José também chama a atenção para uma dificuldade ainda presente em muitas praias brasileiras: a falta de estruturas adequadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Acessos adaptados, cadeiras anfíbias, acompanhamento especializado e equipes de apoio são recursos que podem contribuir para que esses espaços sejam utilizados por um número maior de pessoas.

No caso da síndrome de Guillain-Barré, a recuperação pode variar bastante entre os pacientes. Segundo o Ministério da Saúde, a doença afeta os nervos periféricos e pode provocar perda de força muscular. A reabilitação é importante para a recuperação funcional, especialmente quando permanecem limitações após a fase aguda.

Para José, a visita à capital paraibana ficará marcada não apenas pela oportunidade de conhecer uma nova cidade, mas pela possibilidade de retomar uma atividade que fazia parte de sua vida antes da doença.

Depois de quatro anos de espera, o simples contato com a água do mar se transformou em um momento de alegria e liberdade, evidenciando a importância de iniciativas que tornam os espaços públicos mais acessíveis.

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