De acordo com os dados da PRF, os acidentes registrados em 2025 deixaram 1.471 pessoas feridas e 77 mortas nas BRs que cortam o estado. Em 2024, foram contabilizados 1.368 feridos e 72 mortes. O aumento foi de 7,5% no número de feridos e de 6,9% nos óbitos.
Somente nos três primeiros meses de 2026, mais de 300 acidentes de moto já foram registrados nas rodovias paraibanas. Segundo a PRF, os casos resultaram em cerca de 400 feridos e 16 mortes, média de três acidentes por dia.
O chefe da 1ª Delegacia da PRF na Paraíba, Fábio Ramalho, afirmou que o conhecimento das normas de trânsito pode contribuir para uma condução mais segura.
Segundo ele, entre as principais causas dos acidentes envolvendo motocicletas estão a desobediência às regras de circulação, o excesso de velocidade, especialmente em corredores entre veículos, e a embriaguez ao volante.
Os acidentes de moto também refletem na rede hospitalar da Paraíba. No Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, foram realizados 9.786 atendimentos relacionados a acidentes com motociclistas em 2025, número semelhante ao registrado em 2024. Apenas entre janeiro e março de 2026, mais de 2,3 mil atendimentos já haviam sido realizados na unidade.
Em Campina Grande, o Hospital de Trauma registrou crescimento de 21% nos atendimentos por acidentes de moto. O número passou de 8.815 casos em 2024 para 10.685 em 2025.
De janeiro a março deste ano, a unidade contabilizou mais de 2,6 mil atendimentos, alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O coordenador da área vermelha do Hospital de Trauma de Campina Grande, Matheus Matos, afirmou que os casos mais frequentes envolvem traumatismo craniano, fraturas e lesões torácicas e abdominais.
Segundo ele, o uso inadequado do capacete também contribui para a gravidade das ocorrências.
Francisco José ficou mais de três meses internado após sofrer um acidente de moto. Ele passou por cinco cirurgias e relatou que trafegava a cerca de 120 km/h antes de perder o controle do veículo em uma curva.
Outro motociclista, Mateus Xavier, contou que caiu após tentar evitar um atropelamento em uma rodovia federal durante um período de chuva.
Já Severino Venâncio, diretor escolar no município de Conde, na Grande João Pessoa, convive até hoje com sequelas de um acidente ocorrido em 2019. Ele precisou utilizar muletas após sofrer lesões no joelho.
De acordo com Matheus Matos, um paciente vítima de acidente de moto pode gerar custo médio de R$ 6 mil para o hospital em casos sem cirurgia ou lesões graves.
Nos casos mais complexos, que exigem múltiplas cirurgias e internação prolongada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o valor pode chegar a R$ 400 mil por paciente.
Os pedidos de auxílio-acidente também aumentaram no país. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostram que, em 2024, foram concedidos mais de 76 mil benefícios, entre auxílios-acidente comuns e acidentários, totalizando R$ 92 milhões pagos.
Em 2025, o número subiu para quase 100 mil benefícios concedidos, com gastos superiores a R$ 125 milhões. O aumento foi de aproximadamente 30%.
O advogado previdenciário Edivanildo Nunes explicou que, para solicitar o benefício, é necessário apresentar documentos pessoais e laudos médicos que comprovem a incapacidade ou redução da capacidade de trabalho.
Segundo ele, os pedidos podem ser feitos pelo aplicativo Meu INSS, pelo site oficial do órgão ou pelo telefone 135.
Outro dado identificado pela PRF foi o aumento no número de motociclistas sem carteira de habilitação nas rodovias federais da Região Metropolitana de João Pessoa.
Durante a Operação Verão 2025/2026, 35,76% dos motociclistas abordados não possuíam CNH. Foram 436 condutores flagrados sem habilitação.
Na edição anterior da operação, realizada entre 2024 e 2025, o percentual era de 23%, com 285 condutores sem carteira de habilitação.

