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Paraíba

“A comunicação me escolheu“: Paulo Neto rompe o silêncio, expõe bastidores e revela futuro na comunicação paraibana

Publicado em 25/07/2026 às 23:12 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram

Aos 17 anos, diante de uma redação tomada pelo nervosismo, um estagiário levantou a mão e disse que sabia operar uma mesa de áudio. A resposta que recebeu foi um duro constrangimento público: "Você não sabe operar porra nenhuma". Horas depois, seria justamente aquele adolescente quem garantiria, sozinho, uma transmissão ao vivo que mudaria definitivamente o rumo de sua vida profissional.

Mais de duas décadas depois, o episódio continua vivo na memória de Paulo Neto. Não pelo tom da reprimenda, mas pelo simbolismo. Aquele momento marcou o início de uma carreira construída entre improvisos, oportunidades inesperadas, mudanças de emissoras, programas de grande audiência e uma capacidade constante de adaptação — característica que se tornaria sua marca registrada.

Em entrevista ao Podcast Em Ponto, apresentado por Carlos Rocha, o comunicador abriu espaço para revisitar passagens pouco conhecidas de sua trajetória, revelando bastidores da imprensa paraibana, episódios marcantes da convivência com grandes nomes do rádio e da televisão e reflexões sobre o futuro profissional.

Ao longo da conversa, Paulo deixa transparecer uma ideia que atravessa toda sua história: ele não planejou seguir a comunicação. Foi, segundo ele, a própria comunicação que o escolheu.

O dia em que um esporro virou oportunidade

O episódio aconteceu em 2003, durante a cobertura da Via Folia, evento carnavalesco promovido pelo Sistema Correio.

O operador responsável pela transmissão da madrugada pediu demissão de forma inesperada na véspera do evento. Sem tempo para encontrar um substituto, a equipe buscava uma solução de emergência.

Foi quando o jovem estagiário, então com 17 anos, afirmou que conhecia o funcionamento da mesa de áudio.

A reação inicial da direção foi de incredulidade.

Na entrevista, Paulo relembra que recebeu uma bronca severa diante de profissionais de diferentes setores da empresa. O constrangimento foi suficiente para fazê-lo acreditar que perderia ali mesmo qualquer chance de crescer dentro da emissora.

Mas a necessidade falou mais alto.

Antes que ele deixasse o prédio para voltar para casa, um operador experiente foi encarregado de testá-lo. A avaliação foi positiva.

Naquela mesma noite, Paulo assumiu sozinho a operação técnica da transmissão, que se estendeu das 18h até as três horas da manhã, por satélite.

A responsabilidade era enorme para alguém que sequer havia concluído o ensino médio.

O sucesso da operação mudaria completamente seu destino.

O encontro com Jota Júnior

Na segunda-feira seguinte, o desempenho do jovem já era assunto nos corredores da empresa.

Segundo Paulo, o apresentador Jota Júnior tomou conhecimento da atuação durante a transmissão e pediu que ele passasse imediatamente a integrar sua equipe.

Era o início de uma parceria que marcaria profundamente sua formação profissional.

Na época, Jota comandava uma rotina intensa entre rádio e televisão, chegando a apresentar cerca de seis horas diárias de programação.

Para acompanhar o ritmo, Paulo precisou negociar com a direção da escola a possibilidade de chegar atrasado às aulas, comprometendo-se apenas a realizar avaliações e manter o desempenho acadêmico.

O primeiro dia ao lado do apresentador também trouxe outro desafio.

Sem espaço suficiente dentro do estúdio, precisou permanecer segurando as folhas do roteiro enquanto fazia leituras ao vivo, controlando o nervosismo diante dos microfones.

Mais do que aprender técnicas de comunicação, afirma ter aprendido disciplina, velocidade de raciocínio e a dinâmica do rádio popular.

Uma carreira construída em movimento

A trajetória profissional de Paulo Neto nunca seguiu uma linha reta.

Depois da primeira passagem pelo Sistema Correio, veio o convite para integrar a equipe da Prefeitura de Bayeux, após a eleição de Jota Júnior para o Executivo municipal.

Mais tarde retornou ao rádio, passou pela Rádio 98 FM e pela CBN, antes de estrear na televisão através do Sistema Tambaú.

Ao longo dos anos, alternou funções entre reportagem de rua, apresentação de programas, comentários esportivos, produção e ancoragem de telejornais.

Essa versatilidade aparece como um dos fios condutores de sua carreira.

Em diferentes momentos, foi chamado para substituir apresentadores, assumir programas durante períodos de transição ou integrar novos projetos editoriais.

Em vez de permanecer associado a um único formato, tornou-se um profissional capaz de ocupar diferentes espaços dentro das redações.

Os bastidores que o público raramente vê

Para quem acompanha apenas o resultado final exibido na televisão ou ouvido no rádio, a rotina parece organizada e previsível.

Nos bastidores, porém, a realidade costuma ser bem diferente.

Durante a entrevista, Paulo descreve um ambiente onde mudanças de escala, decisões de última hora, substituições emergenciais e divergências fazem parte do cotidiano.

Na Rede Arapuan, por exemplo, assumiu diferentes programas ao longo dos anos, incluindo telejornais e atrações de opinião.

Também relembrou o período em que integrou o programa 60 Minutos, dividindo bancada com Rui Dantas e Fábio Bernardo.

Segundo ele, o período eleitoral elevava a temperatura dos debates internos.

As divergências políticas frequentemente extrapolavam os argumentos apresentados durante o programa.

No entanto, faz questão de destacar que os conflitos permaneciam restritos ao ambiente profissional.

Fora do estúdio, a relação entre os colegas seguia amistosa — a ponto de ambos se tornarem seus padrinhos de casamento.

A experiência, segundo relata, ensinou-lhe que divergências de opinião não precisam impedir relações de respeito.

O comunicador que aprendeu a ocupar diferentes cadeiras

Ao longo da conversa, Paulo utiliza uma expressão para definir sua atuação nas emissoras por onde passou: "cumpridor de missão".

Sempre que surgia uma necessidade, era chamado para assumir temporariamente algum programa ou preencher espaços deixados por colegas.

Foi assim quando assumiu o Tribuna Livre durante o afastamento de Fabiano Gomes.

Também aconteceu quando comandou o Jornal da Arapuan após a saída de Mirna Barbosa e em outras oportunidades nas quais precisou migrar rapidamente entre funções.

Segundo ele, essa disposição para enfrentar novos desafios acabou ampliando sua experiência em praticamente todos os segmentos da comunicação regional.

De aprendiz a mentor

Se o início da carreira foi marcado pela ajuda de profissionais experientes, hoje Paulo afirma procurar reproduzir o mesmo gesto com novos comunicadores.

Durante a entrevista, cita especialmente o jornalista André Firmino, com quem trabalhou na TV Norte.

Na avaliação do apresentador, o jovem reúne características que o fazem recordar seus próprios primeiros anos na profissão: disposição para aprender, interesse pelo jornalismo e dedicação ao trabalho.

Paulo conta que participou de sua indicação para uma oportunidade profissional posterior e acompanha com satisfação o crescimento do colega.

Para ele, compartilhar oportunidades representa uma forma de retribuir o apoio recebido no início da carreira.

Uma infância que moldou prioridades

As histórias profissionais ocupam boa parte da entrevista, mas não escondem um aspecto recorrente em seu relato: as dificuldades familiares.

Filho de professora e de um pai aposentado por invalidez em decorrência de um câncer cerebral, Paulo cresceu em uma casa onde o esforço para manter a família era parte da rotina.

Recorda que ajudava a mãe a corrigir provas escolares e acompanhava de perto a carga de trabalho enfrentada por ela.

A convivência com essa realidade influenciou escolhas pessoais ainda na adolescência.

Ao mesmo tempo, o rádio surgia quase por acaso.

Enquanto participava de uma atividade de divulgação de um curso pré-vestibular, descobriu facilidade para falar ao microfone — habilidade que chamou a atenção dos responsáveis pelo programa e resultou em um convite para retornar semanalmente.

Foi a primeira porta aberta para o universo da comunicação.

Os tropeços também fizeram parte da caminhada

A trajetória, contudo, esteve longe de ser linear.

Paulo admite que enfrentou dificuldades na escola, especialmente na disciplina de Química, chegando a reprovar durante o ensino médio.

Também relembra um episódio marcante durante o Processo Seletivo Seriado (PSS), quando contraiu catapora na reta final das provas.

Isolado no Hospital Universitário, precisou realizar os exames em condições excepcionais, circunstância que comprometeu sua classificação para o curso de Rádio e TV.

As dificuldades, porém, não interromperam sua busca por formação.

Além da experiência prática acumulada nas redações, concluiu graduação em Direito, especializou-se em Gestão Pública e atualmente cursa pós-graduação em Jornalismo Digital.

A combinação entre experiência profissional e qualificação acadêmica, segundo demonstra ao longo da entrevista, tornou-se parte importante de sua identidade.

O futuro entre a comunicação e a gestão

Embora mantenha discrição sobre projetos específicos, Paulo confirma que recebeu novos convites recentemente e admite viver um momento de reflexão sobre os próximos passos da carreira.

As possibilidades passam tanto pelo jornalismo quanto pela atuação institucional, área em que reúne formação acadêmica e experiência em gestão pública.

Sem anunciar definições, afirma que pretende continuar conciliando conhecimento técnico e comunicação, independentemente do espaço onde venha a atuar.

Muito além da frente das câmeras

Ao longo de mais de vinte anos de profissão, Paulo Neto transitou por praticamente todas as etapas da produção jornalística: operou equipamentos, produziu programas, fez reportagens de rua, apresentou telejornais, comandou debates, comentou esportes e participou da formação de novos profissionais.

Sua história revela que a comunicação raramente é construída apenas pelos rostos conhecidos do público.

Ela também nasce dos bastidores, das oportunidades inesperadas, dos erros, dos improvisos e da disposição para assumir responsabilidades quando poucos acreditam ser possível.

Na entrevista ao Podcast Em Ponto, o comunicador revisita essa trajetória não apenas para recordar episódios curiosos, mas para mostrar que carreiras consolidadas costumam ser resultado de pequenos momentos decisivos — muitos deles invisíveis para quem acompanha apenas o que vai ao ar.

É justamente nesses bastidores que Paulo Neto encontra a melhor definição para sua caminhada: uma carreira construída menos por planejamento e mais pela capacidade de dizer "sim" quando a oportunidade apareceu. E, desde aquela madrugada em que assumiu uma mesa de áudio pela primeira vez, a comunicação nunca mais deixou de fazer parte de sua história.

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