O Cenário de Recuperação no Nordeste e no Brasil
Os dados refletem um comportamento de priorização das famílias brasileiras. Em âmbito nacional, 53,7% dos débitos negativados em outubro foram quitados ou renegociados até dezembro. Esse movimento indica que, mesmo sob pressão de juros elevados e orçamento restrito, os consumidores estão empenhados em manter o acesso ao crédito e honrar compromissos essenciais.O que os dados revelam sobre o perfil do consumidor:
- Perfil do Credor: As dívidas com Cooperativas lideraram a recuperação (70%), seguidas por Utilities (contas de água, energia e gás, com 66,1%) e Bancos/Cartões (61,8%).
- Valor da Dívida: Curiosamente, dívidas de valores mais altos (acima de R$ 10 mil) apresentaram a maior taxa de regularização (66,7%), sugerindo um esforço concentrado para evitar o acúmulo de encargos sobre débitos maiores.
- Tempo de Atraso: O indicador mostra que a probabilidade de quitação cai conforme o tempo passa: dívidas com apenas 1 ano de atraso têm maior índice de recuperação (25,3%) do que aquelas com mais tempo de vencimento (20,5%).
Por que os índices variam tanto?
Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, o cenário atual exige uma reorganização constante das finanças familiares. "Em um contexto de juros elevados e renda pressionada, os consumidores tendem a priorizar compromissos considerados essenciais ou que preservam o acesso ao crédito", explica.A performance da Paraíba (58,6%) é significativamente superior à média nacional e destaca o estado positivamente em relação a outras unidades da federação, como Pernambuco (43,6%) e o Distrito Federal (28,8%), que apresentaram os menores índices de recuperação no período analisado.
