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Esquerda francesa se inspira na campanha de Lula e cria memes de Mélenchon com inteligência artificial

Publicado em 01/11/2026 às 12:18 Por Redação
Foto: Reprodução/ X
Foto: Reprodução/ X
A mobilização digital que marcou a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ultrapassou as fronteiras do Brasil e passou a inspirar apoiadores de políticos de esquerda na Europa. Na França, simpatizantes de Jean-Luc Mélenchon, líder do partido França Insubmissa (LFI), começaram a reproduzir estratégias utilizadas no segundo turno das eleições brasileiras, incluindo a criação de memes, vídeos com inteligência artificial e canais de mobilização nas redes sociais.

Entre as montagens que circulam na internet, uma apresenta Mélenchon ao lado de aliados políticos em uma apresentação inspirada na cantora norte-americana Lady Gaga. As imagens são fictícias, produzidas com recursos de inteligência artificial, e fazem referência ao tipo de conteúdo humorístico que ganhou popularidade durante a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

Na campanha brasileira, vídeos gerados por inteligência artificial mostraram Lula e aliados em apresentações musicais, coreografias e cenas de entretenimento. Uma das montagens mais compartilhadas reuniu o presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e outros políticos em uma apresentação inspirada em um show de Lady Gaga. A estratégia ajudou a levar o debate eleitoral para públicos que normalmente não acompanham conteúdos políticos.

A inspiração francesa, no entanto, não se limita aos memes. O principal modelo adotado por apoiadores de Mélenchon é o chamado “Exército do Lula”, canal de WhatsApp organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que ultrapassou 10 milhões de seguidores durante o segundo turno.

A iniciativa brasileira distribuía orientações para que participantes compartilhassem publicações, comentassem conteúdos e ampliassem o alcance de mensagens políticas. Na França, uma estrutura semelhante começou a funcionar em 26 de outubro, um dia depois da vitória de Lula.

Batizado de “L'équipe de Mélenchon officielle”, ou “A equipe oficial de Mélenchon”, o canal francês passou de aproximadamente 46 mil seguidores na terça-feira (27) para cerca de 160 mil na sexta-feira (30), segundo levantamentos divulgados pela imprensa brasileira.

A influência brasileira foi reconhecida pelo deputado francês Antoine Léaument, responsável pela comunicação da França Insubmissa. Em artigo publicado em seu site oficial no dia 27 de outubro, ele analisou o que chamou de “janonismo”, em referência à estratégia digital adotada por André Janones.

No texto, Léaument apresentou orientações para ampliar a participação dos apoiadores de Mélenchon nas redes sociais. Entre elas estão a criação de canais de WhatsApp, a distribuição de tarefas digitais, o compartilhamento de conteúdos e a produção de vídeos humorísticos.

O parlamentar também incentivou a criação de montagens mais descontraídas, inclusive as consideradas absurdas ou exageradas, para alcançar novos públicos. Segundo ele, o objetivo é aproveitar a linguagem das plataformas digitais para aumentar a circulação das mensagens do partido.

A influência da eleição brasileira também apareceu em manifestações simbólicas. Em vídeos publicados no TikTok, apoiadores franceses passaram a reproduzir o gesto da letra “L”, utilizado por eleitores de Lula, e depois inverter a posição das mãos para formar um “M”, referência ao sobrenome de Mélenchon.

O próprio político francês declarou apoio à reeleição de Lula antes do segundo turno. Após a confirmação do resultado, comemorou a vitória do brasileiro, enquanto integrantes de seu partido passaram a estabelecer comparações entre o cenário eleitoral dos dois países.

O movimento também chegou à Espanha. Apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez passaram a organizar canais semelhantes, como o “La Fuerza de la Gente”, que utiliza estratégias de mobilização digital inspiradas na campanha brasileira. Sánchez também manifestou interesse na experiência conduzida por Janones, segundo reportagens publicadas após a eleição.

Na Argentina, simpatizantes do peronismo criaram o canal “Ejército del Peronismo”, que menciona expressamente o exemplo brasileiro em sua apresentação. As iniciativas nos três países somavam aproximadamente 269 mil seguidores na sexta-feira (30), de acordo com levantamento da CNN Brasil.

A adoção dessas estratégias ocorre em meio à preparação para novas disputas eleitorais. A França terá eleições presidenciais em 2027, enquanto a Espanha se aproxima das eleições gerais previstas para novembro de 2026.

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