João Pessoa ・ Terça-feira ・ 02 de junho de 2026 ・ 26º C

Dólar R$ 5,03 ・ Euro R$ 5,85

Banner

Mundo

Especialista avalia crise na Venezuela e alerta para precedentes na América Latina

Publicado em 03/01/2026 às 16:26 Por Redação
Foto: Reprodução/ YouTube
Foto: Reprodução/ YouTube
A analista política Priscila Caneparo participou da edição especial deste sábado (3) do SBT Notícias para analisar os acontecimentos recentes na Venezuela, em meio às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao agravamento da crise política no país. Durante a análise, a especialista fez ponderações sobre a retirada de Nicolás Maduro do poder, os interesses norte-americanos e os riscos para a soberania regional.

Segundo Priscila Caneparo, Nicolás Maduro atua como um ditador de fato e é responsável por colocar a população venezuelana em situação de extrema vulnerabilidade, além de ser acusado de violações de direitos humanos. Para a analista, o afastamento de Maduro do poder é necessário, mas a forma como o processo vem sendo conduzido levanta questionamentos.

Um dos principais pontos destacados foi a ausência de um plano claro de transição política. De acordo com Caneparo, não há informações concretas sobre como se daria o caminho para que o povo venezuelano conquiste autonomia, tanto em relação ao regime chavista quanto a uma possível influência direta dos Estados Unidos. Na avaliação da analista, a substituição de um regime autoritário por uma administração estrangeira também comprometeria a liberdade do país.

A analista ressaltou ainda que, historicamente, os Estados Unidos enxergam países da América Latina como áreas estratégicas de recursos naturais, incluindo a Venezuela, a Colômbia e o Brasil. Nesse contexto, ela citou declarações de Trump sobre a intenção de assumir o controle das jazidas de petróleo venezuelanas e determinar a forma de exploração desses recursos.

Para Caneparo, a questão central é saber para onde seriam destinados os recursos financeiros provenientes dessa exploração. “A dúvida é se esse dinheiro permaneceria na Venezuela ou seria transferido para fora do país”, avaliou. Ela lembrou que o petróleo venezuelano foi estatizado cerca de 20 anos antes da primeira eleição de Hugo Chávez, dentro da lógica da chamada revolução bolivariana, que defendia o uso das riquezas nacionais em benefício da população.

Outro ponto abordado foi a justificativa relacionada ao narcotráfico. Segundo a analista, dados indicam que apenas 8% do tráfico de drogas proveniente da América Latina e do Caribe chega aos Estados Unidos a partir da Venezuela, o que, em sua avaliação, relativiza o argumento de que a intervenção teria como principal objetivo o combate ao crime organizado.

Apesar de reconhecer que Hugo Chávez e Nicolás Maduro não conseguiram transformar a riqueza do petróleo em melhoria efetiva da qualidade de vida da população, Priscila Caneparo alertou que a retomada da exploração por empresas estrangeiras também não garante benefícios diretos aos venezuelanos.

Ao concluir sua análise, a especialista chamou atenção para os riscos geopolíticos do atual cenário. Para ela, a Venezuela pode representar um precedente perigoso. “Hoje é a Venezuela, amanhã podem ser as terras raras brasileiras”, afirmou, ao destacar a necessidade de atenção dos países da região diante de possíveis disputas internacionais por recursos naturais.

Relacionadas