Segundo Priscila Caneparo, Nicolás Maduro atua como um ditador de fato e é responsável por colocar a população venezuelana em situação de extrema vulnerabilidade, além de ser acusado de violações de direitos humanos. Para a analista, o afastamento de Maduro do poder é necessário, mas a forma como o processo vem sendo conduzido levanta questionamentos.
Um dos principais pontos destacados foi a ausência de um plano claro de transição política. De acordo com Caneparo, não há informações concretas sobre como se daria o caminho para que o povo venezuelano conquiste autonomia, tanto em relação ao regime chavista quanto a uma possível influência direta dos Estados Unidos. Na avaliação da analista, a substituição de um regime autoritário por uma administração estrangeira também comprometeria a liberdade do país.
A analista ressaltou ainda que, historicamente, os Estados Unidos enxergam países da América Latina como áreas estratégicas de recursos naturais, incluindo a Venezuela, a Colômbia e o Brasil. Nesse contexto, ela citou declarações de Trump sobre a intenção de assumir o controle das jazidas de petróleo venezuelanas e determinar a forma de exploração desses recursos.
Para Caneparo, a questão central é saber para onde seriam destinados os recursos financeiros provenientes dessa exploração. “A dúvida é se esse dinheiro permaneceria na Venezuela ou seria transferido para fora do país”, avaliou. Ela lembrou que o petróleo venezuelano foi estatizado cerca de 20 anos antes da primeira eleição de Hugo Chávez, dentro da lógica da chamada revolução bolivariana, que defendia o uso das riquezas nacionais em benefício da população.
Outro ponto abordado foi a justificativa relacionada ao narcotráfico. Segundo a analista, dados indicam que apenas 8% do tráfico de drogas proveniente da América Latina e do Caribe chega aos Estados Unidos a partir da Venezuela, o que, em sua avaliação, relativiza o argumento de que a intervenção teria como principal objetivo o combate ao crime organizado.
Apesar de reconhecer que Hugo Chávez e Nicolás Maduro não conseguiram transformar a riqueza do petróleo em melhoria efetiva da qualidade de vida da população, Priscila Caneparo alertou que a retomada da exploração por empresas estrangeiras também não garante benefícios diretos aos venezuelanos.
Ao concluir sua análise, a especialista chamou atenção para os riscos geopolíticos do atual cenário. Para ela, a Venezuela pode representar um precedente perigoso. “Hoje é a Venezuela, amanhã podem ser as terras raras brasileiras”, afirmou, ao destacar a necessidade de atenção dos países da região diante de possíveis disputas internacionais por recursos naturais.

