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Criança norueguesa canta “Feira de Mangaio” em aula de português e surpreende brasileiros nas redes sociais

Publicado em 02/11/2026 às 11:15 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
Uma criança norueguesa está fazendo sucesso nas redes sociais depois de aparecer cantando um dos maiores clássicos da música nordestina: “Feira de Mangaio”, composição dos paraibanos Sivuca e Glorinha Gadelha. O vídeo foi publicado por Gisele, mais conhecida pelo perfil @giginoruega, uma brasileira que mora na Noruega e utiliza músicas, expressões populares e elementos da cultura nacional para ensinar português a crianças do país europeu. Quem aparece no vídeo cantando é um dos filhos dela, que nasceu no país europeu. 

Carioca, psicóloga e criadora de conteúdo, a brasileira costuma compartilhar nas redes sociais detalhes de sua rotina na Noruega e experiências relacionadas à cultura dos dois países. Uma das atividades que desenvolve é o que chama de “aulas de Brasil”, nas quais apresenta a língua portuguesa brasileira de maneira descontraída.

Em uma das gravações, a professora escolheu “Feira de Mangaio” para trabalhar o idioma com uma criança norueguesa. O resultado chamou a atenção pela desenvoltura da pequena estudante, que conseguiu acompanhar a canção e reproduzir palavras e expressões características do Nordeste brasileiro.

A interpretação ganhou repercussão especialmente pela dificuldade da letra, conhecida pelo ritmo acelerado e pela quantidade de termos regionais. Nos comentários, brasileiros brincaram que nem mesmo quem nasceu no país consegue cantar a música inteira sem tropeçar nas palavras, enquanto a criança norueguesa demonstrou familiaridade com os versos.

O vídeo também despertou a curiosidade de internautas sobre a origem da composição, que faz parte do patrimônio musical da Paraíba.

“Feira de Mangaio” foi criada na década de 1970 pelo sanfoneiro Severino Dias de Oliveira, conhecido como Sivuca, natural de Itabaiana, e pela compositora Glorinha Gadelha, nascida em Sousa, no Sertão paraibano.

Curiosamente, apesar de retratar o cotidiano das tradicionais feiras nordestinas, a canção nasceu longe do Brasil. Na época, os dois artistas viviam em Nova York, nos Estados Unidos.

Em entrevistas, Glorinha contou que começou a criar a música durante uma aula e continuou desenvolvendo os versos enquanto utilizava o metrô da cidade americana. A composição foi concluída em uma lanchonete, quando a saudade das feiras de sua infância se transformou em inspiração musical.

Sivuca participou posteriormente da finalização da obra, contribuindo com ajustes e arranjos. A história da criação foi relatada pela própria compositora em entrevista ao jornal A União, da Paraíba. A União +1

A música foi gravada inicialmente por Sivuca em 1977, mas ganhou projeção nacional dois anos depois, quando Clara Nunes a incluiu no álbum “Esperança”, lançado em 1979. A interpretação ajudou a transformar o baião em um dos clássicos da música popular brasileira. Novabrasil

O nome “mangaio” faz referência a produtos e mercadorias tradicionalmente comercializados nas feiras populares do Nordeste, especialmente artigos artesanais, utensílios domésticos, alimentos e objetos utilizados no trabalho rural.

Ao longo da letra, os compositores apresentam um retrato da cultura nordestina, com referências a comidas típicas, atividades do campo, personagens populares e instrumentos musicais.

A importância da obra também aparece em levantamentos do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Em pesquisa divulgada em 2021, “Feira de Mangaio” liderava a relação das músicas de Sivuca mais executadas no Brasil durante os dez anos anteriores e também era a composição do artista mais regravada por outros intérpretes. ECAD

Décadas depois de sua criação, a canção continua atravessando gerações e fronteiras. Desta vez, a voz de uma criança norueguesa ajudou a apresentar ao público das redes sociais um pouco da riqueza linguística e cultural da Paraíba.

A gravação também demonstra como a música pode funcionar como ferramenta de aprendizagem de idiomas, permitindo que estudantes estrangeiros tenham contato não apenas com palavras em português, mas também com sotaques, ritmos e tradições brasileiras.

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