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Avalanche de lama deixa ao menos 160 mortos e centenas de desaparecidos entre Nepal e Tibete

Publicado em 14/08/2026 às 17:30 Por Redação
Foto: REUTERS/Stringer
Foto: REUTERS/Stringer
Uma avalanche de lama atingiu nesta quarta-feira (26) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, deixando pelo menos 160 pessoas mortas e centenas desaparecidas. A força da enxurrada provocou destruição em comunidades dos dois lados da fronteira, arrastando veículos, pontes e construções.

No Nepal, as autoridades contabilizaram 157 mortes em sete localidades. No território do Tibete, controlado pela China, outras três pessoas morreram. O número de desaparecidos chega a centenas e ainda pode aumentar à medida que as equipes de emergência conseguem acessar as áreas mais afetadas.

Vídeos registrados durante o desastre mostram uma grande massa de água e lama descendo pelos vales e atingindo áreas habitadas. Em algumas localidades, construções próximas aos rios foram completamente destruídas.

Região turística foi atingida

A área atingida possui importância turística e também funciona como uma das principais conexões terrestres entre o Nepal e a China. Entre os pontos afetados está Syabrubesi, cidade utilizada como ponto de partida para a trilha de Langtang, uma das rotas de trekking conhecidas do Nepal.

O Conselho de Turismo do país informou que 384 viajantes estão desaparecidos, sendo 341 estrangeiros. A região também recebe turistas e peregrinos que seguem em direção ao Kailash Mansarovar.

Até a atualização mais recente, não havia informação oficial sobre brasileiros entre os desaparecidos.

Desastre destruiu pontes e vilas

Um dos pontos mais atingidos foi o porto de Gyirong, no território tibetano. Imagens mostram a estrutura sendo tomada pela lama e pela água.

No distrito nepalês de Rasuwa, moradores relataram uma situação de destruição generalizada. A enxurrada atingiu comunidades próximas aos rios, enquanto pontes foram levadas pela correnteza e veículos acabaram arrastados.

Um dos registros que circulam nas redes sociais mostra passageiros dentro de um ônibus diante da aproximação da avalanche. Em outro vídeo, uma ponte de metal é carregada pela força das águas.

Do lado tibetano, um deslizamento também atingiu uma passagem utilizada para a circulação entre os dois países. Entre os desaparecidos estão oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica.

O que provocou a avalanche?

As causas do desastre ainda estão sendo investigadas. Inicialmente, houve a suspeita de que um terremoto pudesse ter provocado o movimento de terra. O Serviço Geológico dos Estados Unidos, porém, posteriormente corrigiu o registro e informou que o evento identificado na região correspondia a um deslizamento de terra, e não a um terremoto.

Outra possibilidade analisada por especialistas é a ocorrência de um rompimento de lago glacial, fenômeno conhecido como GLOF. Nesse tipo de evento, o rompimento repentino de uma barreira natural libera uma grande quantidade de água, podendo provocar inundações e carregar lama, pedras e outros materiais pelos vales.

A hipótese ganha relevância porque a região do Himalaia possui numerosos lagos glaciais e vem enfrentando mudanças provocadas pelo rápido derretimento das geleiras.

Além disso, o desastre ocorreu durante a temporada de monções, período marcado por fortes chuvas no Nepal e em outros países do Sul da Ásia. Inundações e deslizamentos são relativamente frequentes nessa época do ano, mas a dimensão da destruição registrada agora chama atenção.

Equipes trabalham nas buscas

O governo nepalês mobilizou policiais e militares para atuar nas operações de resgate. O Exército informou ter retirado 88 pessoas das áreas atingidas.

As equipes continuam procurando sobreviventes e desaparecidos, enquanto autoridades avaliam os danos provocados pela avalanche e trabalham para restabelecer o acesso às localidades afetadas.

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