Ao abordar a questão, a secretária exemplificou a rotina de uma moradora da última rua do bairro Valentina Figueiredo, na Zona Sul da capital. Segundo ela, a mulher precisa sair de casa ainda de madrugada e utilizar dois ônibus para chegar ao trabalho, repetindo o trajeto diariamente. “Ela sai por volta de 4h30 da manhã, pega um ônibus até a Lagoa e outro para chegar ao destino. São quatro ônibus por dia. Isso é muito pesado, especialmente para uma mulher, mãe, com filha pequena”, relatou.
Pollyanna destacou que a dificuldade de deslocamento afeta diretamente a qualidade de vida e reforçou que muitos dos problemas enfrentados atualmente são reflexo de falhas históricas no planejamento urbano. Para a secretária, a ausência de soluções estruturantes ao longo dos anos contribuiu para a descrença da população na política. “Os problemas do passado continuam no presente porque não foram resolvidos. As pessoas não veem ações concretas”, afirmou.
O tema do metrô em João Pessoa já foi objeto de estudo divulgado pelo BNDES em 2025, que aponta a viabilidade de um sistema com três eixos principais, com implantação prevista a partir de 2030. O projeto prevê integração com bairros centrais, áreas turísticas e regiões mais afastadas da cidade.
De acordo com o estudo, a Linha Azul ligaria a Lagoa a Manaíra, com 9,8 quilômetros de extensão e 10 estações, atendendo bairros como Tambiá, Torre, Expedicionários, Miramar, Cabo Branco, Tambaú, Manaíra, Jardim Oceania e Aeroclube. Já o Ramal Laranja (Gramame) também teria 10 estações, conectando bairros da Zona Sul, como José Américo, Geisel, João Paulo II, Grotão, Cuia e Gramame, com ponto de integração na UFPB, junto à Linha Vermelha.
A Linha Vermelha, por sua vez, faria a ligação entre a Rodoviária e o Valentina, funcionando como eixo principal de integração do sistema. Para viabilizar financeiramente o projeto, o estudo aponta a utilização da Lei nº 11.079/2004, que regulamenta as Parcerias Público-Privadas (PPPs) no Brasil.
Ao comparar a realidade local com experiências internacionais, Pollyanna mencionou viagens recentes à Europa. “Estive em Portugal e vi cidades menores do que Campina Grande com metrô. João Pessoa já deveria ter”, afirmou.

