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Cotidiano

Richarlison explica disputa por mansão em ilha, cita Flávio Bolsonaro e pede apuração da PF

Publicado em 17/10/2026 às 16:31 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram



O atacante Richarlison, jogador do Tottenham e com passagens recentes pela Seleção Brasileira, publicou neste sábado (17) um vídeo para explicar a disputa envolvendo uma mansão de luxo localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Na gravação, o jogador afirma que investiu cerca de R$ 10 milhões no imóvel e acusa o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), de ter obtido a propriedade após uma disputa judicial. Richarlison também voltou a mencionar diretamente Flávio e pediu que a Polícia Federal analise o caso.

“Os caras me tomaram na mão grande”, afirmou o jogador no vídeo, ao apresentar sua versão sobre o episódio. A declaração representa a acusação feita por Richarlison e não uma conclusão da Justiça ou da Polícia Federal.

Richarlison diz que investiu cerca de R$ 10 milhões


Segundo o relato do atacante, a propriedade foi adquirida entre 2020 e 2021, durante a pandemia, em uma sociedade envolvendo o empresário Renato Velasco e Alencar da Silveira Júnior.

Documentos do processo indicam que uma das empresas envolvidas na negociação era a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, ligada a Richarlison e ao pai dele. Outra parte era a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada a Renato Velasco.

O jogador afirma ter aplicado aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade.

A mansão possui estrutura de alto padrão, com 11 suítes, praia privativa, cachoeira, piscina, quadra de tênis e heliponto.

Imóvel ficou com empresa de Willer Tomaz


Após uma disputa judicial que se prolongou por aproximadamente três anos, a posse do imóvel passou para a WT Administração de Imóveis, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz.

O processo tramitou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Após uma decisão favorável à parte ligada a Tomaz em março de 2025 e tentativas de recurso, a Sport 70 e Renato Velasco desistiram da ação em agosto daquele ano.

Atualmente, portanto, a posse reconhecida judicialmente é da empresa de Willer Tomaz.

Onde Flávio Bolsonaro entra na história?


Esse é um ponto que exige atenção.

Flávio Bolsonaro não é parte no processo judicial envolvendo a propriedade. O próprio senador já negou participação na disputa.

A ligação mencionada por Richarlison decorre da relação de amizade entre Flávio e Willer Tomaz e de visitas feitas ao imóvel.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o antigo proprietário da casa afirmou que Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro visitaram o imóvel juntos e teriam se tratado como sócios durante a ocasião. A assessoria de Flávio nega que tenha existido qualquer sociedade, participação empresarial ou negócio conjunto entre os dois.

Por isso, não é correto afirmar como fato que Flávio “tomou a ilha de Richarlison”.

Essa é uma acusação feita pelo jogador, contestada pelo candidato.

Richarlison pede investigação da Polícia Federal


No novo vídeo, Richarlison foi além das reclamações anteriores e pediu que a Polícia Federal investigue as circunstâncias da disputa.

O atleta sustenta que houve irregularidade na forma como perdeu a posse e afirma que deseja esclarecer a participação das pessoas mencionadas.

Até esta atualização, não havia informação pública de abertura de uma investigação específica da PF a partir do vídeo divulgado neste sábado.

Jogador diz que não quer mais a propriedade


Richarlison também afirmou que seu objetivo atualmente não seria recuperar a mansão.

Segundo ele, o que deseja é receber de volta o valor investido.

Em publicações feitas nos últimos dias, o jogador já havia afirmado que não queria mais permanecer com a propriedade e que buscava recuperar o dinheiro aplicado na negociação.

O atacante disse ainda que pretende destinar parte do valor, caso consiga recuperá-lo, ao hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.

Caso voltou às redes durante o segundo turno


A disputa pela mansão já havia ganhado repercussão em julho e voltou ao noticiário com força durante a campanha presidencial.

Em setembro, Richarlison publicou uma imagem da propriedade com a frase “a ilha que me tomaram”.

Posteriormente, passou a marcar diretamente Flávio Bolsonaro em publicações nas redes sociais perguntando sobre a propriedade.

A controvérsia ganhou ainda mais peso porque Flávio disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula no próximo dia 25.

Willer Tomaz também aparece em outras investigações


O advogado Willer Tomaz tem sido citado em outras investigações recentes da Polícia Federal.

Reportagens publicadas neste mês apontam que ele é investigado em apurações relacionadas a fraudes envolvendo o INSS e também em um caso sobre possível recebimento antecipado de documentos do Superior Tribunal de Justiça e do Ministério Público Federal. Tomaz nega irregularidades.

Outro conjunto de documentos analisados pela PF indicou que Flávio Bolsonaro teria aparecido associado a uma conta bancária ligada a uma empresa de Tomaz no exterior. Ambos negam qualquer relação financeira entre eles e afirmam que as informações são falsas.

Esses outros casos não comprovam, por si mesmos, qualquer irregularidade na disputa pela mansão de Angra dos Reis.

Processo sobre a propriedade já terminou


Um aspecto importante é que a disputa cível sobre o imóvel já foi encerrada.

Isso significa que o vídeo de Richarlison não reabre automaticamente o processo nem modifica a decisão judicial existente.

O jogador, contudo, sustenta que existem circunstâncias que merecem nova apuração e passou a pedir publicamente a atuação da Polícia Federal.

A partir de agora, será preciso acompanhar se haverá representação formal, abertura de investigação ou apresentação de novos documentos. 
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