Na gravação, o jogador afirma que investiu cerca de R$ 10 milhões no imóvel e acusa o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), de ter obtido a propriedade após uma disputa judicial. Richarlison também voltou a mencionar diretamente Flávio e pediu que a Polícia Federal analise o caso.
“Os caras me tomaram na mão grande”, afirmou o jogador no vídeo, ao apresentar sua versão sobre o episódio. A declaração representa a acusação feita por Richarlison e não uma conclusão da Justiça ou da Polícia Federal.
Richarlison diz que investiu cerca de R$ 10 milhões
Documentos do processo indicam que uma das empresas envolvidas na negociação era a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, ligada a Richarlison e ao pai dele. Outra parte era a Sport 70 Intermediação de Negócios, ligada a Renato Velasco.
O jogador afirma ter aplicado aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade.
A mansão possui estrutura de alto padrão, com 11 suítes, praia privativa, cachoeira, piscina, quadra de tênis e heliponto.
Imóvel ficou com empresa de Willer Tomaz
O processo tramitou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça. Após uma decisão favorável à parte ligada a Tomaz em março de 2025 e tentativas de recurso, a Sport 70 e Renato Velasco desistiram da ação em agosto daquele ano.
Atualmente, portanto, a posse reconhecida judicialmente é da empresa de Willer Tomaz.
Onde Flávio Bolsonaro entra na história?
Flávio Bolsonaro não é parte no processo judicial envolvendo a propriedade. O próprio senador já negou participação na disputa.
A ligação mencionada por Richarlison decorre da relação de amizade entre Flávio e Willer Tomaz e de visitas feitas ao imóvel.
Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o antigo proprietário da casa afirmou que Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro visitaram o imóvel juntos e teriam se tratado como sócios durante a ocasião. A assessoria de Flávio nega que tenha existido qualquer sociedade, participação empresarial ou negócio conjunto entre os dois.
Por isso, não é correto afirmar como fato que Flávio “tomou a ilha de Richarlison”.
Essa é uma acusação feita pelo jogador, contestada pelo candidato.
Richarlison pede investigação da Polícia Federal
O atleta sustenta que houve irregularidade na forma como perdeu a posse e afirma que deseja esclarecer a participação das pessoas mencionadas.
Até esta atualização, não havia informação pública de abertura de uma investigação específica da PF a partir do vídeo divulgado neste sábado.
Jogador diz que não quer mais a propriedade
Segundo ele, o que deseja é receber de volta o valor investido.
Em publicações feitas nos últimos dias, o jogador já havia afirmado que não queria mais permanecer com a propriedade e que buscava recuperar o dinheiro aplicado na negociação.
O atacante disse ainda que pretende destinar parte do valor, caso consiga recuperá-lo, ao hospital de Nova Venécia, no Espírito Santo, sua cidade natal.
Caso voltou às redes durante o segundo turno
Em setembro, Richarlison publicou uma imagem da propriedade com a frase “a ilha que me tomaram”.
Posteriormente, passou a marcar diretamente Flávio Bolsonaro em publicações nas redes sociais perguntando sobre a propriedade.
A controvérsia ganhou ainda mais peso porque Flávio disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Lula no próximo dia 25.
Willer Tomaz também aparece em outras investigações
Reportagens publicadas neste mês apontam que ele é investigado em apurações relacionadas a fraudes envolvendo o INSS e também em um caso sobre possível recebimento antecipado de documentos do Superior Tribunal de Justiça e do Ministério Público Federal. Tomaz nega irregularidades.
Outro conjunto de documentos analisados pela PF indicou que Flávio Bolsonaro teria aparecido associado a uma conta bancária ligada a uma empresa de Tomaz no exterior. Ambos negam qualquer relação financeira entre eles e afirmam que as informações são falsas.
Esses outros casos não comprovam, por si mesmos, qualquer irregularidade na disputa pela mansão de Angra dos Reis.
Processo sobre a propriedade já terminou
Isso significa que o vídeo de Richarlison não reabre automaticamente o processo nem modifica a decisão judicial existente.
O jogador, contudo, sustenta que existem circunstâncias que merecem nova apuração e passou a pedir publicamente a atuação da Polícia Federal.
A partir de agora, será preciso acompanhar se haverá representação formal, abertura de investigação ou apresentação de novos documentos.

