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Cotidiano

Outubro Verde: casos de sífilis mais que dobram na Paraíba; saiba como prevenir e onde buscar tratamento gratuito

Publicado em 14/10/2026 às 09:10 Por Lucas Rodrigues
Foto: Reprodução / Gemini IA
Foto: Reprodução / Gemini IA
A Paraíba registrou mais que o dobro de casos de sífilis adquirida em cinco anos, passando de 1.335 diagnósticos em 2021 para 2.877 em 2025. Os dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB) reforçam a importância do Outubro Verde, campanha dedicada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento da infecção sexualmente transmissível (IST). Neste ano, o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita será celebrado no sábado (17).

Embora seja uma infecção que tem cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a sífilis continua representando um desafio para a saúde pública. A doença pode permanecer sem sintomas durante longos períodos, dificultando a identificação e favorecendo a transmissão.

Na Paraíba, o número de casos de sífilis adquirida aumentou aproximadamente 115% entre 2021 e 2025. Já os diagnósticos em gestantes passaram de 1.059 para 1.239 no mesmo intervalo. Por outro lado, os registros de sífilis congênita, transmitida da gestante para o bebê, caíram de 447 para 249 casos, uma redução de aproximadamente 44%.

Em João Pessoa, a Secretaria Municipal de Saúde contabilizou 2.306 casos de sífilis em 2025. Desse total, 1.643 foram de sífilis adquirida, 560 ocorreram em gestantes e 103 foram classificados como sífilis congênita. Entre janeiro e abril de 2026, a capital já havia registrado outras 471 confirmações, incluindo 29 casos congênitos.

Os números mostram a necessidade de ampliar a testagem, principalmente porque a infecção pode passar despercebida. A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida durante relações sexuais vaginais, anais ou orais sem preservativo, além da transmissão da gestante para o bebê durante a gravidez ou o parto.

Os primeiros sinais podem incluir feridas geralmente indolores na região genital, na boca ou em outras partes do corpo. Em outras fases, podem surgir manchas na pele, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés. Entretanto, a ausência de sintomas não significa que a pessoa esteja livre da infecção.

Sem tratamento, a sífilis pode provocar complicações que atingem o sistema nervoso, o coração e outros órgãos. Durante a gestação, a infecção também pode causar aborto, parto prematuro, morte do bebê e problemas de saúde no recém-nascido.

O diagnóstico é realizado por meio de exames, incluindo testes rápidos disponibilizados gratuitamente pelo SUS. Em João Pessoa, o resultado pode ficar pronto entre 15 e 20 minutos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Quando a infecção é identificada, o tratamento é realizado principalmente com penicilina benzatina, conhecida comercialmente como Benzetacil. A quantidade de doses depende da fase da doença e da avaliação dos profissionais de saúde. Também é necessário acompanhar a resposta ao tratamento e avaliar as parcerias sexuais para evitar novas transmissões.

A prevenção envolve o uso de preservativos, a realização de exames periódicos e a procura por atendimento após situações de possível exposição. Para gestantes, a testagem durante o pré-natal é essencial, pois permite iniciar o tratamento e reduzir o risco de transmissão para o bebê.

Na Paraíba, a Secretaria de Estado da Saúde prevê ações educativas durante o Outubro Verde, com distribuição de materiais informativos aos 223 municípios. Também está prevista uma mobilização de testagem em Remígio, no Brejo, no dia 27 de outubro.

Onde fazer o teste e receber tratamento gratuito

Em João Pessoa, os moradores podem procurar as Unidades de Saúde da Família (USFs), que oferecem testagem, acompanhamento e tratamento da sífilis pelo SUS.

Outro serviço disponível é o Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA), localizado na Policlínica Municipal de Jaguaribe, na Rua Alberto de Brito, no bairro de Jaguaribe. O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, e o serviço oferece testes rápidos para sífilis, HIV e hepatites virais, além de orientação e acompanhamento especializado.

Nos demais municípios da Paraíba, a população pode buscar a Unidade Básica de Saúde mais próxima para solicitar o teste e receber orientações sobre o tratamento. O Ministério da Saúde também disponibiliza informações sobre os serviços de saúde pelo telefone 136.

A recomendação é não esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento. A identificação precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento das parcerias sexuais são medidas fundamentais para interromper a transmissão da sífilis e prevenir novos casos.

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