Cotidiano
Margarida Maria Alves: A voz que não fugiu da luta e se tornou o símbolo das mulheres camponesas
Publicado em 04/03/2026 às 19:11 Por Redação
Durante os 12 anos em que esteve à frente do sindicato, Margarida dedicou sua vida a enfrentar a estrutura arcaica e violenta dos latifúndios. Ela rompeu padrões de poder ao mover mais de 100 ações trabalhistas contra os proprietários das usinas locais (como a Usina Tanques), exigindo o básico garantido por lei, mas negado pelo coronelismo: carteira assinada, 13º salário, férias e a jornada de oito horas. Margarida não lutava apenas por salários, mas pela alfabetização de seus companheiros e pela conscientização política, fundando o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural para que o conhecimento fosse ferramenta de libertação.
Sua coragem, no entanto, incomodou profundamente as elites locais organizadas no que se conhecia como o "Grupo da Várzea". No dia 12 de agosto de 1983, o ódio se materializou: Margarida foi assassinada com um tiro de espingarda calibre 12 no rosto na porta de sua casa, diante do marido e do filho de apenas oito anos. O crime, encomendado por fazendeiros, tentou silenciar sua voz, mas acabou por amplificá-la de forma irreversível. Três meses antes de sua morte, durante as celebrações do 1º de Maio, ela proferiu a frase que hoje está gravada na fachada de sua casa-museu e no coração dos movimentos sociais: "Da luta eu não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome". Outra máxima sua, "Medo nós tem, mas não usa", tornou-se um mantra de resistência para as trabalhadoras rurais de todo o Brasil.
O legado de Margarida é tão profundo que atravessou as fronteiras da Paraíba. Desde o ano 2000, milhares de mulheres de todos os cantos do país — camponesas, quilombolas, indígenas e extrativistas — marcham rumo a Brasília a cada quatro anos na Marcha das Margaridas. A mobilização, coordenada pela CONTAG, é hoje a maior ação política de mulheres da América Latina, reivindicando soberania alimentar, direitos reprodutivos, acesso à terra e o fim da violência no campo.
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