O levantamento nacional aponta que 37% dos entrevistados receberam seus animais de pessoas próximas, enquanto 29% realizaram resgates diretamente das ruas e 21% recorreram a organizações não governamentais (ONGs) ou abrigos. Os dados mostram que a adoção acontece de diferentes maneiras, muitas vezes fora de instituições especializadas.
Mas a chegada de um animal ao novo lar também exige preparação. Segundo a pesquisa, 26% dos participantes apontaram a adaptação como uma das principais dificuldades após a adoção. Outros 22% mencionaram despesas inesperadas, como gastos com alimentação, medicamentos e atendimento veterinário.
Na Paraíba, a necessidade de ampliar os cuidados com cães e gatos aparece nos números divulgados pela Prefeitura de João Pessoa. Entre janeiro e abril de 2026, a Secretaria de Cuidado e Proteção Animal (Secupa) registrou 1.746 denúncias de maus-tratos, com taxa de resolução informada de 63,4%. No mesmo período, a rede municipal contabilizou 4.654 atendimentos e procedimentos relacionados à proteção e ao bem-estar animal.
Os registros não representam a quantidade de animais abandonados na capital, mas mostram parte da demanda pelos serviços de proteção. Também não há, nos dados consultados, um levantamento que permita afirmar quantos tutores paraibanos adotaram seus pets.
Outro indicador é o aumento das castrações realizadas pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de João Pessoa. No primeiro trimestre deste ano, foram 812 procedimentos, contra 459 no mesmo período de 2025, crescimento de 76,9%. A medida contribui para o controle reprodutivo de cães e gatos e para a prevenção de situações de abandono.
Além da capital, o Governo da Paraíba mantém o programa Paraíba Pet, que oferece ações de castração gratuita em diferentes municípios. Em maio, por exemplo, foram anunciadas mais de 435 vagas para atendimentos em João Pessoa, Campina Grande, Soledade, Juazeirinho, Camalaú, Monteiro e Cuité.
A discussão sobre adoção também chegou à legislação municipal. Em abril de 2026, foi promulgada em João Pessoa a Lei nº 2.065, que institui uma central virtual para divulgação de cães e gatos disponíveis para adoção em canais oficiais da Prefeitura. A norma prevê ainda a possibilidade de reunir informações sobre entidades de proteção e denúncias de maus-tratos. A efetiva implantação da ferramenta, entretanto, não foi confirmada nas informações consultadas.
Em agosto, outro projeto de lei foi apresentado na Câmara Municipal: a campanha João Pessoa Adota os Invisíveis. A proposta, ainda em tramitação, busca incentivar a adoção de animais idosos, com deficiência, doenças crônicas ou considerados de difícil adoção.
A iniciativa chama atenção para uma questão que vai além da quantidade de animais acolhidos: a necessidade de encontrar famílias preparadas para assumir cuidados que podem durar muitos anos. A adoção responsável envolve planejamento financeiro, acompanhamento veterinário, alimentação adequada e adaptação à rotina doméstica.
Como adotar um animal em João Pessoa?
A capital possui um programa permanente de adoção de cães e gatos por meio do Centro de Controle de Zoonoses, localizado na Avenida Walfredo Macedo Brandão, nº 100, no bairro dos Bancários.
De acordo com a Prefeitura, os interessados devem apresentar documento de identificação com foto e comprovante de residência em João Pessoa. O procedimento inclui uma entrevista para avaliar as condições de acolhimento e a compatibilidade entre o animal e a família.
Segundo as orientações municipais, os animais adultos disponibilizados pelo serviço passam por cuidados veterinários, incluindo castração, vermifugação e vacinação. Após a adoção, a equipe também pode acompanhar a adaptação ao novo lar.
A Prefeitura disponibiliza informações sobre o serviço no site oficial do município. Já o Governo do Estado mantém o Portal Paraíba Pet, com informações sobre castração, agendas de atendimento e registro de denúncias de maus-tratos.
Embora a pesquisa nacional aponte a adoção como uma prática frequente entre os tutores entrevistados, os dados da Paraíba mostram que o debate também passa pela prevenção do abandono, pelo acesso a serviços veterinários e pela proteção dos animais que ainda aguardam uma família.

