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Cotidiano

Furto de cabos causa prejuízo de R$ 400 mil em usina solar na Paraíba e preocupa setor de energia

Publicado em 22/10/2026 às 09:00 Por Lucas Rodrigues
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
O furto de cabos de cobre e equipamentos elétricos em usinas solares tem preocupado empresas do setor de energias renováveis na Paraíba. Uma das ocorrências foi registrada no dia 15 de outubro, em uma usina particular localizada no município do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa. A ação criminosa atingiu cabos, inversores e transformadores, provocando um prejuízo estimado em pelo menos R$ 400 mil.

Embora os registros sejam considerados pontuais, os furtos representam um risco para o funcionamento dos empreendimentos. O cobre, utilizado nas instalações elétricas, é um dos principais alvos devido ao seu valor de revenda. Além disso, muitas usinas fotovoltaicas estão instaladas em áreas extensas e afastadas dos centros urbanos, o que amplia os desafios de segurança.

Segundo a Associação Paraibana de Energias Renováveis (APB Renováveis), os prejuízos não se limitam à reposição dos materiais furtados. A retirada dos cabos pode interromper a transmissão da energia produzida pelos painéis solares, impedindo que ela seja enviada à rede elétrica.

O presidente da entidade, Rafael Targino, explica que a paralisação também provoca perdas financeiras para os responsáveis pelos empreendimentos e pode atingir consumidores atendidos por sistemas de geração distribuída e energia por assinatura.

“Mesmo com os módulos gerando normalmente, a energia não consegue ser escoada: a usina para de injetar, o gerador perde receita e, no caso de geração distribuída e energia por assinatura, os créditos deixam de chegar aos consumidores”, afirmou.

O vice-presidente técnico da APB Renováveis, José Ricardo Félix, também relatou ter enfrentado uma ocorrência semelhante. À frente da Complementar Engenharia, empresa que atua no setor, ele teve cabos elétricos de 240 milímetros quadrados furtados de uma subestação.

Além do impacto econômico, a retirada irregular dos componentes pode comprometer a segurança das instalações. Dependendo das condições do furto, há risco de curtos-circuitos, danos a equipamentos e acidentes envolvendo profissionais responsáveis pela manutenção. A necessidade de substituir peças específicas também pode prolongar a interrupção das atividades.

Para reduzir a vulnerabilidade das usinas, a associação recomenda investimentos em sistemas de monitoramento, como câmeras de segurança com análise de imagens, sensores de intrusão e alarmes conectados a centrais de vigilância.

A entidade também defende o fortalecimento da fiscalização sobre a comercialização de cobre e outros materiais elétricos, como forma de combater a receptação de produtos furtados. Para Rafael Targino, a prevenção depende de uma atuação conjunta entre empresas geradoras, concessionárias de energia, entidades representativas e forças de segurança.

“É fundamental integrar geradores, concessionárias de energia, associações do setor e forças de segurança, com compartilhamento de informações e inteligência”, destacou.

O problema também passou a receber maior atenção na legislação brasileira, com o endurecimento das punições relacionadas ao furto e roubo de cabos elétricos. Para representantes do setor, a combinação entre segurança preventiva, fiscalização e combate à receptação é necessária para proteger os investimentos e evitar interrupções na geração de energia renovável na Paraíba.
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