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Cotidiano

Ferramenta gratuita permite verificar segurança de sites e identificar possíveis vulnerabilidades

Publicado em 24/10/2026 às 14:31 Por Lucas Rodrigues
Foto: Reprodução
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Uma ferramenta gratuita e disponível em português promete facilitar a identificação de possíveis falhas de segurança em sites, sem exigir conhecimentos técnicos dos usuários. Batizada de Sentinela, a plataforma foi lançada pelo projeto Hacker Cidadão e pode ser acessada pelo endereço sentinela.org.br, permitindo que cidadãos, empresas e gestores públicos avaliem informações de segurança expostas na internet.

O lançamento ocorre em meio à repercussão de duas vulnerabilidades identificadas no PHP, tecnologia utilizada no funcionamento de diversos sites. Conhecidas como php2shell, as falhas CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619 receberam classificação de gravidade crítica, com pontuação 9,2 na escala internacional CVSS.

Segundo os responsáveis pela iniciativa, essas vulnerabilidades podem permitir a execução remota de códigos sem necessidade de autenticação. As correções já foram disponibilizadas nas versões 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35 do PHP.

A preocupação com possíveis ataques levou alguns órgãos públicos a suspender temporariamente serviços digitais por precaução. A proposta do Sentinela é oferecer informações preliminares sobre a exposição externa dos sites, auxiliando na avaliação de riscos antes da adoção de medidas.

A plataforma funciona por meio de uma análise passiva, ou seja, verifica apenas informações que já estão disponíveis publicamente. Entre os elementos avaliados estão os cabeçalhos de segurança, a configuração das conexões HTTPS e TLS, as tecnologias utilizadas e possíveis indícios de versões vulneráveis.

Ao final da verificação, o usuário recebe uma classificação que varia de A a F, acompanhada de explicações sobre os pontos identificados e orientações para possíveis correções. Também é possível baixar um relatório em PDF com o diagnóstico.

De acordo com o Hacker Cidadão, o sistema não realiza tentativas de invasão, exploração de vulnerabilidades ou varreduras de portas. A análise se limita às informações acessíveis externamente e pode ser utilizada para consultar sites próprios ou de terceiros.

A base de dados da ferramenta é atualizada diariamente a partir de fontes públicas, incluindo o catálogo de vulnerabilidades exploradas da Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA) e informações disponibilizadas pelo endoflife.date.

Apesar das funcionalidades, os desenvolvedores ressaltam que a avaliação não substitui uma auditoria completa de segurança digital. A ferramenta não consegue identificar, por exemplo, senhas fracas, problemas em áreas protegidas por login, portas abertas ou vulnerabilidades em bibliotecas internas.

Também não é possível confirmar a versão do PHP utilizada por um site quando essa informação está oculta. Por isso, uma classificação positiva não significa necessariamente que a página esteja livre de riscos.

Para Percival Henriques, presidente da Associação Nacional para Inclusão Digital (ANID), a iniciativa busca ampliar o acesso a informações que possam orientar decisões sobre segurança cibernética.

“Em um momento de pânico, a pior decisão é a que se toma no escuro. O Sentinela existe para que o gestor público e o cidadão comum consigam, em dois minutos, enxergar a própria exposição e agir com critério, sem precisar de conhecimento técnico e sem cair na falsa sensação de segurança”, afirmou.

Além do diagnóstico, o serviço disponibiliza orientações voltadas a gestores públicos sobre medidas complementares de proteção e questões que devem ser discutidas com os responsáveis pela manutenção dos sistemas.

O Sentinela pode ser acessado gratuitamente pelo endereço https://sentinela.org.br, sem necessidade de cadastro.

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