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Cotidiano

Estudo revela que 80% das árvores analisadas em cidades da Paraíba são de espécies exóticas

Publicado em 14/10/2026 às 10:52 Por Lucas Rodrigues
Foto: Reprodução
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Uma pesquisa realizada em dez municípios da Paraíba identificou que 80,5% das 1.381 árvores analisadas em vias públicas pertencem a espécies não nativas da região. O levantamento também revelou que aproximadamente 60% dos exemplares são de espécies classificadas como exóticas invasoras, o que pode representar riscos à biodiversidade da Caatinga.

O estudo foi publicado em julho de 2026 na revista científica internacional Biotropica e contou com a participação de pesquisadores vinculados à Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e ao Instituto Nacional do Semiárido (Insa).

A pesquisa foi desenvolvida em Alagoa Grande, Cajazeiras, Campina Grande, Esperança, Guarabira, Patos, Pombal, Queimadas, São Bento e Sousa, municípios localizados na área de abrangência da Caatinga paraibana.

Entre as árvores identificadas, o nim indiano, de nome científico Azadirachta indica, apresentou a maior concentração. Foram encontrados 700 exemplares, o equivalente a aproximadamente 50,7% de toda a amostra. A espécie estava presente nos dez municípios e foi predominante em sete deles.

Na sequência aparecem a Ficus benjamina, também exótica, com 129 exemplares, e o ipê-roxo, espécie nativa, com 94 árvores catalogadas.

Ao todo, os pesquisadores identificaram 69 espécies diferentes, sendo 33 nativas e 36 não nativas. Embora as espécies exóticas representem pouco mais da metade da diversidade registrada, elas correspondem a mais de 80% das árvores contabilizadas.

A predominância do nim indiano preocupa os pesquisadores devido ao potencial invasor da planta e à presença de substâncias que podem afetar insetos, incluindo polinizadores. A espécie, originária da Ásia, tornou-se comum em cidades nordestinas por apresentar crescimento rápido, resistência ao clima seco e capacidade de produzir sombra.

Segundo os pesquisadores, a concentração de espécies exóticas invasoras pode comprometer a biodiversidade urbana ao reduzir o espaço para árvores nativas e interferir nas relações ecológicas entre plantas, insetos e aves.

O levantamento também identificou possíveis impactos na infraestrutura das cidades. Algumas espécies utilizadas na arborização, incluindo o nim, podem desenvolver raízes capazes de danificar calçadas e outras estruturas, especialmente quando plantadas em locais inadequados.

Outro resultado mostrou que cinco dos dez municípios apresentaram condições de arborização consideradas desfavoráveis à biodiversidade. Três receberam classificação mais favorável, enquanto dois ficaram em situação intermediária.

Campina Grande e Alagoa Grande estiveram entre as cidades que apresentaram maior participação de espécies nativas na composição analisada.

Os pesquisadores também observaram uma relação entre a impermeabilização do solo e a diversidade vegetal. Nos locais com maior presença de asfalto e outras superfícies impermeáveis, foi registrada menor riqueza de espécies nativas.

Apesar dos resultados, o estudo não representa um levantamento de todas as árvores existentes nos municípios. Em cada cidade, foram analisados quatro trechos de 300 metros de vias públicas, principalmente calçadas e canteiros centrais.

Dessa forma, o percentual de 80,5% corresponde exclusivamente às árvores incluídas na amostragem científica, e não à totalidade da arborização urbana dessas cidades.

Diante dos resultados, os pesquisadores defendem mudanças nas políticas municipais de arborização, com a redução do plantio de espécies exóticas invasoras e a ampliação do uso de árvores nativas da Caatinga.

A recomendação também inclui maior diversidade de espécies e planejamento adequado dos locais de plantio, considerando fatores como espaço disponível, características das raízes, rede elétrica e preservação ambiental.
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