Cotidiano
Estudantes de escola pública da Paraíba criam tecnologia para monitorar cisternas e disputam prêmio nacional
Publicado em 23/10/2026 às 09:30 Por Lucas Rodrigues
Batizada de CisternSentinel: IoT no combate ao Aedes aegypti em cisternas de semiárido, a iniciativa surgiu a partir de um problema observado pelos próprios estudantes. Ao perceberem que uma cisterna abandonada, próxima à escola, poderia favorecer a reprodução do mosquito transmissor da dengue, os alunos decidiram buscar uma alternativa para acompanhar as condições desses reservatórios.
A solução encontrada foi utilizar a chamada internet das coisas (IoT), tecnologia que permite conectar dispositivos e sensores para coletar e transmitir informações. Com materiais disponíveis no laboratório da escola, os estudantes Ana Júlia, Maria Lavínia, José Ryan e Jhemerson Luiz, junto à equipe do projeto, desenvolveram um protótipo capaz de fornecer informações em tempo real sobre as cisternas, inclusive por meio de dispositivos móveis.
A proposta busca contribuir para a vigilância de reservatórios de água, especialmente em comunidades do semiárido, onde as cisternas desempenham um papel importante no abastecimento. Durante os períodos de estiagem, quando não recebem os cuidados adequados, essas estruturas podem favorecer a reprodução do Aedes aegypti.
O projeto também apresenta uma alternativa para facilitar o acompanhamento dos reservatórios por agentes de combate às endemias e profissionais de saúde, oferecendo informações que podem auxiliar na identificação de situações que exigem atenção.
A iniciativa foi orientada pelo professor Suênio Alves, com participação do professor parceiro Agson Melchiades, e contou com apoio da 12ª Gerência Regional de Educação (GRE). Para a equipe, a classificação representa o reconhecimento de uma solução desenvolvida a partir da realidade vivenciada pelos próprios estudantes.
O CisternSentinel está entre os dez projetos finalistas selecionados em uma competição que reuniu 30 semifinalistas de diferentes regiões do Brasil. Durante a etapa classificatória, as equipes participaram de atividades formativas e acompanhamento técnico para aperfeiçoar as pesquisas e os protótipos apresentados.
Com a classificação, os cinco estudantes garantiram smartphones da Samsung. Os professores Suênio Alves e Agson Melchiades também foram contemplados com notebooks. A equipe participará ainda de uma viagem a São Paulo, onde serão realizadas novas atividades do programa.
Entre os dias 19 e 27 de novembro, os finalistas passarão por uma etapa de mentoria voltada ao aperfeiçoamento dos projetos e à preparação das apresentações. Os estudantes também produzirão um vídeo sobre a iniciativa, que participará da votação do Júri Popular, prevista para ocorrer entre 23 e 30 de novembro.
A apresentação dos projetos à banca julgadora está marcada para 7 de dezembro, durante a Mostra Solve for Tomorrow Brasil. Na ocasião, serão definidos os vencedores da 13ª edição da competição.
O projeto integra as ações do programa Ouse Criar, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação da Paraíba (SEE-PB), que incentiva o empreendedorismo e a inovação nas escolas da rede estadual.
A classificação dos estudantes de Mogeiro coloca uma solução desenvolvida no interior paraibano em uma vitrine nacional e demonstra como a pesquisa científica nas escolas pode partir de problemas cotidianos para propor alternativas com aplicação prática na comunidade.
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