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Cotidiano

Elizabeth Teixeira: Um Século de Resistência e Memória Viva

Atualizada em 17/03/2026 às 00:01 Por Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
Mais de um ano após as celebrações pelos 100 anos de Elizabeth Teixeira, realizadas em fevereiro de 2025, a trajetória da líder camponesa paraibana continua atual e necessária no debate sobre justiça social e direitos no campo.

Nascida em 13 de fevereiro de 1925, no município de Sapé, Elizabeth construiu uma história marcada pela luta ao lado dos trabalhadores rurais e pela resistência diante da violência e das desigualdades. Filha de pequenos proprietários, desde cedo teve contato com a realidade dura do campo, o que despertou sua consciência social.

Ao lado do marido, João Pedro Teixeira, tornou-se uma das principais vozes das Ligas Camponesas na Paraíba. Em 1958, o casal participou da fundação da Associação dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas de Sapé, movimento que buscava melhores condições de vida e a reforma agrária.

Após o assassinato de João Pedro, Elizabeth assumiu a linha de frente da mobilização, enfrentando perseguições, prisões e ameaças constantes. Com o início da Ditadura Militar no Brasil, a repressão se intensificou: sua casa foi incendiada, ela foi presa e acabou vivendo na clandestinidade por anos, adotando outra identidade para sobreviver.

Nesse período, enfrentou uma das maiores tragédias pessoais, com a separação dos filhos, espalhados entre familiares em meio à perseguição política. Sua história só voltou a ganhar projeção nacional décadas depois, com o documentário Cabra Marcado para Morrer, dirigido por Eduardo Coutinho, que revelou ao país a dimensão de sua luta.

Hoje, em março de 2026, o legado de Elizabeth Teixeira permanece como referência histórica e política. Em um cenário ainda marcado por desigualdades sociais e disputas no campo, sua trajetória segue inspirando movimentos sociais, pesquisadores e novas gerações.

Mais do que uma homenagem pontual, a memória de Elizabeth continua sendo um instrumento de reflexão sobre o Brasil — lembrando que a luta por direitos, dignidade e igualdade no campo ainda é uma pauta viva.

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