Cotidiano
Casos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos aumentam e preocupam pesquisadores
Publicado em 20/10/2026 às 10:30 Por Lucas Rodrigues
Dados analisados pelo Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF) mostram que, na Inglaterra, a incidência de câncer colorretal entre pessoas com menos de 50 anos praticamente dobrou entre 2001 e 2023. No início do período, aproximadamente uma em cada 26 mil pessoas dessa faixa etária recebia o diagnóstico. Em 2023, a proporção passou para uma em cada 12 mil.
O avanço não se limita à Europa. Um levantamento publicado em 2025, com informações de 50 países e territórios, identificou crescimento dos casos de câncer colorretal de início precoce em 27 localidades. Na América Latina, a tendência foi observada em países como Chile, Argentina, Equador e Costa Rica, além de Porto Rico. No Chile, o aumento chegou a quase 4% ao ano.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 781 mil novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028, considerando todas as faixas etárias. Entre os tipos que merecem atenção estão o câncer do colo do útero e o colorretal, que apresentam possibilidades importantes de prevenção e detecção precoce.
Outra pesquisa internacional, realizada com dados de 42 países entre 2003 e 2017, identificou aumento de seis tipos de câncer entre adultos de 20 a 49 anos: tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia. O câncer de intestino chamou atenção por apresentar crescimento mais acelerado entre jovens do que entre pessoas mais velhas em aproximadamente um terço dos países analisados.
As razões para esse cenário ainda são investigadas. Entre as hipóteses estudadas estão mudanças nos hábitos alimentares, sedentarismo, obesidade e consumo de álcool. Segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), o excesso de gordura corporal está associado a pelo menos 13 tipos de câncer.
Uma revisão científica publicada em 2021 também apontou que adultos jovens com obesidade apresentavam quase o dobro do risco de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos. O consumo de carnes processadas é outro fator de risco reconhecido, enquanto uma alimentação rica em fibras está associada à redução do risco da doença.
Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que nem todo aumento nos registros representa necessariamente maior ocorrência de câncer. Parte da elevação pode estar relacionada à ampliação dos exames e à identificação de tumores em estágios iniciais. No caso do câncer colorretal, porém, estudos também identificaram crescimento de diagnósticos em estágios avançados, indicando que a tendência não pode ser explicada apenas pela melhoria da detecção.
Embora ainda existam dúvidas sobre as causas do aumento, especialistas reforçam a importância de medidas preventivas, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, evitar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool. Também recomendam procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes, como sangue nas fezes, alterações prolongadas do funcionamento intestinal e perda de peso sem explicação.
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