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Cotidiano

BNB defende ampliação do crédito para preservação e desenvolvimento sustentável na Caatinga

Publicado em 01/09/2026 às 19:00 Por Redação
Foto: Reprodução
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O financiamento de iniciativas sustentáveis pode ter papel estratégico na adaptação do Semiárido brasileiro às mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, contribuir para a geração de renda e o desenvolvimento regional. A avaliação é de José Aldemir Freire, diretor de Planejamento do Banco do Nordeste (BNB), que defende uma agenda integrada de crédito, conservação ambiental e inovação voltada à Caatinga.

Em artigo, Freire destaca que o Semiárido ocupa aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados e abriga mais de 32 milhões de pessoas. Nesse território, a atividade econômica mantém uma relação direta com as condições ambientais, tornando a preservação dos recursos naturais uma questão também ligada à produtividade e à qualidade de vida da população.

Segundo o diretor, entre 82% e 84% dos estabelecimentos rurais da região são de agricultores familiares. Para ele, políticas de financiamento precisam considerar essa realidade e oferecer instrumentos capazes de atender diferentes perfis de produtores e projetos.

A estratégia defendida pelo Banco do Nordeste reúne três frentes principais: incentivo a práticas agrícolas sustentáveis, financiamento de ações de preservação e restauração da Caatinga e utilização de recursos não reembolsáveis para iniciativas voltadas à adaptação climática e recuperação ambiental.

Entre os mecanismos citados estão o Fundo Sustentabilidade e o Fundeci, que, de acordo com o BNB, disponibilizaram aproximadamente R$ 120 milhões em recursos não reembolsáveis nos anos de 2025 e 2026. Os valores são destinados a projetos de pesquisa, inovação, recuperação de áreas degradadas, combate à desertificação e conservação da biodiversidade.

Outra frente envolve chamadas públicas estruturadas pelo banco em parceria com outras instituições. Nos últimos dois anos, os projetos em desenvolvimento a partir dessas iniciativas correspondem a quase 6 mil hectares destinados à preservação e restauração da Caatinga.

A instituição também prevê ampliar o financiamento relacionado à transição ecológica. Para 2026, a projeção é aplicar mais de R$ 5,1 bilhões por meio do FNE Verde, linha voltada a investimentos associados à sustentabilidade e à adaptação das atividades produtivas.

Para José Aldemir Freire, a experiência mostra que o financiamento climático pode ultrapassar a função de reduzir os impactos das mudanças do clima. Na avaliação dele, investimentos em recuperação de áreas degradadas, tecnologias adaptadas ao Semiárido e práticas agrícolas mais eficientes podem reunir, em uma mesma estratégia, conservação ambiental, aumento da produtividade, geração de renda e maior resistência aos períodos de seca.

O diretor também defende uma mudança na forma de enxergar a Caatinga. Em vez de ser tratada apenas como um bioma que precisa ser protegido, a região deve ser compreendida como um território capaz de gerar oportunidades econômicas a partir do uso sustentável de seus próprios recursos naturais.

A proposta, portanto, é aproximar desenvolvimento e preservação, criando mecanismos financeiros que permitam às comunidades do Semiárido se preparar para os efeitos das mudanças climáticas sem abrir mão da atividade produtiva e da geração de oportunidades.
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