>A informação foi confirmada pela equipe do artista. Benito estava internado no Hospital 9 de Julho e tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano.
>As informações sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgadas até esta atualização.
>Nas redes sociais, o filho Rodrigo Vellozo publicou uma homenagem ao pai.
>“Te amo, papai. Obrigado”, escreveu.
De Nova Friburgo para o país
>Ainda jovem, mudou-se para Santos, no litoral de São Paulo, e começou a trabalhar como crooner em casas noturnas.
>No fim dos anos 1960, passou a adotar o nome artístico Benito di Paula e iniciou uma trajetória que acabaria transformando sua maneira de tocar piano e cantar samba em uma assinatura imediatamente reconhecível.
>Seu primeiro sucesso de maior repercussão veio com “Canção para o Nosso Amor”, incluída em 1969 na trilha sonora da novela Nino, o Italianinho, da TV Tupi.
‘Retalhos de Cetim’ transformou carreira
>Em 1973, “Retalhos de Cetim” tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira e uma das músicas mais conhecidas do samba brasileiro daquele período.
>O compacto da canção vendeu mais de 150 mil cópias, segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. A composição também ganhou versões de nomes como Jair Rodrigues, da orquestra de Paul Mauriat e do guitarrista norte-americano Charlie Byrd.
>Décadas depois, a música continuou atravessando gerações, sendo regravada por artistas como Alcione, Paulinho Moska e grupos de samba.
Um piano que virou marca registrada
>O estilo passou a ser chamado pela imprensa de “samba-joia”, rótulo que marcou sua carreira, embora o próprio cantor não demonstrasse entusiasmo com a classificação.
>Sentado ao piano, com arranjos marcantes e interpretações carregadas de emoção, criou uma identidade própria em um período em que diferentes vertentes do samba disputavam espaço nas rádios e na televisão.
>Além de Retalhos de Cetim, entraram para o repertório popular músicas como “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Se Não For Amor”, “Como Dizia o Mestre” e “Proteção às Borboletas”.
‘Charlie Brown’ também atravessou fronteiras
>A canção, dedicada ao personagem dos quadrinhos, tornou-se um dos trabalhos mais conhecidos do cantor dentro e fora do Brasil e ajudou a consolidar o período de maior popularidade de sua carreira.
>Ao longo dos anos 1970, Benito lançou discos de forma praticamente contínua e construiu um repertório que transitava entre samba, romantismo e crônica do cotidiano.
>Sua aparência também se tornou parte da identidade artística: cabelos longos, bigode, roupas marcantes e o piano como centro das apresentações.
Sucesso também enfrentou preconceito
>Seu trabalho foi, em diferentes momentos, classificado como comercial, “cafona” ou “brega”, especialmente pela mistura de samba com elementos românticos.
>Com o passar das décadas, no entanto, sua obra passou por um processo de reavaliação e foi regravada por diferentes gerações de músicos.
>O próprio Dicionário Cravo Albin registra que sua figura e sua abordagem musical fugiam dos padrões mais tradicionais associados aos sambistas daquele período.
Mais de cinco décadas de carreira
>Em 2009, gravou um DVD no Vivo Rio reunindo grandes sucessos da carreira e novas composições. O espetáculo incluiu músicas como Retalhos de Cetim, Mulher Brasileira, Tudo Está no Seu Lugar e Charlie Brown.
>Em anos seguintes, continuou lançando trabalhos e participando de projetos especiais.
>Em 2020, gravou com o filho Rodrigo Vellozo o álbum “O Infalível Zen”, projeto que aproximou musicalmente pai e filho em uma nova fase da carreira.
Homenagem no Carnaval
>Em 2025, ele foi homenageado pela escola de samba Águia de Ouro, de São Paulo, em reconhecimento à trajetória artística e à influência exercida sobre diferentes gerações.
>Mesmo com a doença, continuava ligado à música e a projetos relacionados ao próprio repertório.
Filho se despede
>Depois da confirmação da morte, publicou uma fotografia ao lado de Benito acompanhada de uma mensagem curta de despedida.
>A relação entre os dois também havia se transformado em parceria profissional, principalmente nos anos mais recentes.
>Benito também era pai do cineasta André Vellozo, que morreu em 2019.
Uma obra que permaneceu popular
>Do início como crooner às grandes vendas de discos, das críticas ao chamado samba romântico às regravações feitas por novas gerações, sua obra permaneceu presente no repertório popular.
>Poucas músicas sintetizam essa permanência como Retalhos de Cetim, canção lançada há mais de cinco décadas e que continua sendo imediatamente associada à voz, ao piano e ao estilo de Benito di Paula.
>O artista deixa uma discografia extensa, dezenas de composições e uma marca particular dentro da história do samba e da MPB.

