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Cotidiano

Benito di Paula, voz de ‘Retalhos de Cetim’ e ícone do samba romântico, morre aos 84 anos

Publicado em 18/10/2026 às 23:57 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram


>O cantor, compositor e pianista Benito di Paula, um dos nomes mais reconhecidos da música popular brasileira nas décadas de 1970 e 1980, morreu neste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo.

>A informação foi confirmada pela equipe do artista. Benito estava internado no Hospital 9 de Julho e tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano.

>As informações sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgadas até esta atualização.

>Nas redes sociais, o filho Rodrigo Vellozo publicou uma homenagem ao pai.

>“Te amo, papai. Obrigado”, escreveu.

De Nova Friburgo para o país


>Benito di Paula nasceu Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

>Ainda jovem, mudou-se para Santos, no litoral de São Paulo, e começou a trabalhar como crooner em casas noturnas.

>No fim dos anos 1960, passou a adotar o nome artístico Benito di Paula e iniciou uma trajetória que acabaria transformando sua maneira de tocar piano e cantar samba em uma assinatura imediatamente reconhecível.

>Seu primeiro sucesso de maior repercussão veio com “Canção para o Nosso Amor”, incluída em 1969 na trilha sonora da novela Nino, o Italianinho, da TV Tupi.

‘Retalhos de Cetim’ transformou carreira


>Foi na década de 1970, porém, que Benito alcançou projeção nacional.

>Em 1973, “Retalhos de Cetim” tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira e uma das músicas mais conhecidas do samba brasileiro daquele período.

>O compacto da canção vendeu mais de 150 mil cópias, segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. A composição também ganhou versões de nomes como Jair Rodrigues, da orquestra de Paul Mauriat e do guitarrista norte-americano Charlie Byrd.

>Décadas depois, a música continuou atravessando gerações, sendo regravada por artistas como Alcione, Paulinho Moska e grupos de samba.

Um piano que virou marca registrada


>Benito desenvolveu uma sonoridade que aproximava o samba de elementos da música romântica, do bolero e do jazz.

>O estilo passou a ser chamado pela imprensa de “samba-joia”, rótulo que marcou sua carreira, embora o próprio cantor não demonstrasse entusiasmo com a classificação.

>Sentado ao piano, com arranjos marcantes e interpretações carregadas de emoção, criou uma identidade própria em um período em que diferentes vertentes do samba disputavam espaço nas rádios e na televisão.

>Além de Retalhos de Cetim, entraram para o repertório popular músicas como “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Se Não For Amor”, “Como Dizia o Mestre” e “Proteção às Borboletas”.

‘Charlie Brown’ também atravessou fronteiras


>Outra música profundamente associada ao nome de Benito é “Charlie Brown”.

>A canção, dedicada ao personagem dos quadrinhos, tornou-se um dos trabalhos mais conhecidos do cantor dentro e fora do Brasil e ajudou a consolidar o período de maior popularidade de sua carreira.

>Ao longo dos anos 1970, Benito lançou discos de forma praticamente contínua e construiu um repertório que transitava entre samba, romantismo e crônica do cotidiano.

>Sua aparência também se tornou parte da identidade artística: cabelos longos, bigode, roupas marcantes e o piano como centro das apresentações.

Sucesso também enfrentou preconceito


>Apesar da enorme popularidade, Benito passou boa parte da carreira convivendo com críticas de setores da imprensa e da própria música brasileira.

>Seu trabalho foi, em diferentes momentos, classificado como comercial, “cafona” ou “brega”, especialmente pela mistura de samba com elementos românticos.

>Com o passar das décadas, no entanto, sua obra passou por um processo de reavaliação e foi regravada por diferentes gerações de músicos.

>O próprio Dicionário Cravo Albin registra que sua figura e sua abordagem musical fugiam dos padrões mais tradicionais associados aos sambistas daquele período.

Mais de cinco décadas de carreira


>Benito manteve atividade artística por mais de 50 anos.

>Em 2009, gravou um DVD no Vivo Rio reunindo grandes sucessos da carreira e novas composições. O espetáculo incluiu músicas como Retalhos de Cetim, Mulher Brasileira, Tudo Está no Seu Lugar e Charlie Brown.

>Em anos seguintes, continuou lançando trabalhos e participando de projetos especiais.

>Em 2020, gravou com o filho Rodrigo Vellozo o álbum “O Infalível Zen”, projeto que aproximou musicalmente pai e filho em uma nova fase da carreira.

Homenagem no Carnaval


>A importância de Benito para a música brasileira também chegou ao Carnaval.

>Em 2025, ele foi homenageado pela escola de samba Águia de Ouro, de São Paulo, em reconhecimento à trajetória artística e à influência exercida sobre diferentes gerações.

>Mesmo com a doença, continuava ligado à música e a projetos relacionados ao próprio repertório.

Filho se despede


>Rodrigo Vellozo, também cantor e pianista, acompanhou artisticamente o pai nos últimos anos.

>Depois da confirmação da morte, publicou uma fotografia ao lado de Benito acompanhada de uma mensagem curta de despedida.

>A relação entre os dois também havia se transformado em parceria profissional, principalmente nos anos mais recentes.

>Benito também era pai do cineasta André Vellozo, que morreu em 2019.

Uma obra que permaneceu popular


>A morte de Benito di Paula encerra uma trajetória que atravessou mais de meio século da música brasileira.

>Do início como crooner às grandes vendas de discos, das críticas ao chamado samba romântico às regravações feitas por novas gerações, sua obra permaneceu presente no repertório popular.

>Poucas músicas sintetizam essa permanência como Retalhos de Cetim, canção lançada há mais de cinco décadas e que continua sendo imediatamente associada à voz, ao piano e ao estilo de Benito di Paula.

>O artista deixa uma discografia extensa, dezenas de composições e uma marca particular dentro da história do samba e da MPB.

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