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PSOL aciona Justiça Federal após fala de Eliza Virgínia sobre Erika Hilton

Publicado em 13/03/2026 às 11:59 Por Redação
Foto: Reprodução/ TH+ SBT TAMBAÚ
Foto: Reprodução/ TH+ SBT TAMBAÚ

O diretório estadual do Partido Socialismo e Liberdade na Paraíba protocolou nesta sexta-feira (13) uma notícia-crime na Justiça Federal contra a vereadora de João Pessoa Eliza Virgínia. O partido solicita que o caso seja encaminhado ao Ministério Público Federal para apuração de declarações feitas pela parlamentar sobre a deputada federal Erika Hilton.


A ação ocorre após discurso realizado por Eliza na tribuna da Câmara Municipal de João Pessoa, na quinta-feira (12), quando a vereadora criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados do Brasil.

Durante a fala, Eliza afirmou que a escolha da deputada — que é uma mulher trans — representaria um erro na condução do colegiado.

“Colocar a Comissão de Direitos das Mulheres para Erika Hilton, com todo respeito, é a mesma coisa que colocar um analfabeto para dirigir a secretaria da Educação. Mulher trans não é igual a mulher. Eu defendo o direito de ser chamada de mulher”, declarou.

No mesmo discurso, a vereadora também questionou termos utilizados em debates sobre identidade de gênero e fez menção a características biológicas ao se referir à parlamentar.

PSOL cita decisões do STF


Na notícia-crime apresentada à Justiça, o PSOL argumenta que as declarações podem caracterizar discurso discriminatório contra pessoas trans.

O partido também menciona decisões do Supremo Tribunal Federal que equiparam homofobia e transfobia ao crime de racismo, defendendo que os fatos sejam investigados pelo Ministério Público Federal.

Entre os pedidos apresentados estão a preservação das provas digitais relacionadas ao discurso e a abertura de procedimento para apuração das declarações.

Eleição na Câmara dos Deputados


A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher ocorreu na quarta-feira (11). A deputada recebeu 11 votos, enquanto 10 parlamentares votaram em branco, tornando-se a primeira mulher trans a presidir o colegiado.

Em seu discurso após a eleição, Erika afirmou que pretende conduzir a comissão com diálogo e destacou que sua escolha simboliza avanços na democracia brasileira.

Histórico de controvérsias


A vereadora Eliza Virgínia já esteve envolvida em outros episódios relacionados a declarações sobre a população LGBTQIA+.

Em outubro do ano passado, decisões judiciais determinaram a retirada de publicações feitas por ela nas redes sociais consideradas ofensivas. Em resposta, a parlamentar foi à tribuna da Câmara Municipal com a boca vendada, em protesto.

Também tramita na Justiça Federal uma ação movida pelo Ministério Público Federal que investiga suposta incitação ao ódio e discriminação em publicações nas redes sociais da vereadora.

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