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PF envia ao STF relatório sobre celular de Vorcaro com citações a Toffoli

Publicado em 12/02/2026 às 07:00 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório com dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material inclui menções ao ministro Dias Toffoli, relator da investigação sobre o grupo no Supremo. Após receber o documento, Fachin encaminhou o conteúdo ao próprio Toffoli.

O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. As referências ao ministro aparecem em conversas armazenadas no telefone do empresário.

Em nota, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que as citações são “ilações” e sustentou que a Polícia Federal não tem legitimidade para pedir a declaração de suspeição do ministro no caso. Segundo o comunicado, a PF não é parte no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil, e a resposta formal será apresentada ao presidente da Corte.

A defesa de Daniel Vorcaro também se manifestou e criticou o que chamou de vazamentos seletivos das investigações. Para os advogados, a divulgação de informações fora dos autos pode gerar constrangimentos indevidos, favorecer interpretações equivocadas e prejudicar o direito de defesa.

Entenda o contexto


Ao longo das apurações, a Polícia Federal passou a questionar algumas decisões tomadas por Toffoli no processo, entre elas a determinação inicial para que bens apreendidos fossem lacrados e mantidos sob guarda do STF, procedimento considerado incomum.

Parte da investigação começou na primeira instância da Justiça Federal, mas em dezembro o ministro determinou que novas medidas só poderiam ser adotadas com sua autorização, o que levou à remessa integral do caso ao Supremo. Desde então, Toffoli é o responsável por autorizar diligências e conduzir os desdobramentos do inquérito.

Em meio às críticas à atuação do Judiciário em casos sensíveis, o presidente do STF passou a defender com mais ênfase a criação de um Código de Ética para ministros da Corte e dos tribunais superiores.

Principais pontos investigados


Na primeira fase da apuração, a Polícia Federal identificou indícios de que:

  • O Banco Master teria emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs, oferecendo rendimentos acima do mercado, sem comprovar que possuía liquidez para honrar os pagamentos;

  • Para aparentar solidez financeira, o banco teria investido parte desses recursos em ativos inexistentes, adquirindo créditos de uma empresa chamada Tirreno;

  • O Master não teria pago por esses créditos e, pouco depois, os vendeu ao BRB, que desembolsou R$ 12,2 bilhões sem documentação adequada, em uma operação que teria servido para reforçar o caixa do banco;

  • As transações ocorreram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o Banco Master e buscava convencer órgãos de controle de que a operação não traria riscos aos acionistas, incluindo o governo do Distrito Federal.

O relatório entregue agora ao STF se soma a esse conjunto de investigações, que seguem em andamento sob a relatoria de Dias Toffoli.


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