>Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores batendo panelas e fazendo barulho a partir de apartamentos e residências enquanto a sabatina era exibida. Registros semelhantes também foram feitos em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro durante a transmissão.
>A mobilização havia sido convocada pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones, que tem atuado na organização digital de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste segundo turno.
Canal de Janones convocou mobilização
>O “Exército do Lula” ganhou projeção nacional nas últimas semanas por concentrar milhões de seguidores e servir como instrumento de mobilização digital em favor da candidatura de Lula.>O canal é administrado por Janones e passou a ser utilizado para divulgação de conteúdos, chamadas para atos e ações coordenadas nas redes sociais. Segundo dirigentes petistas, a iniciativa surgiu de forma autônoma, embora tenha posteriormente sido registrada formalmente na Justiça Eleitoral após determinações do TSE.
>O grupo também esteve no centro de uma disputa judicial recente depois de ser suspenso temporariamente por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques. A medida ocorreu após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegava circulação de desinformação. A equipe técnica do tribunal, porém, não havia identificado inicialmente as publicações apontadas como irregulares.
Entrevista foi exibida após o Jornal Nacional
>A sabatina com Flávio Bolsonaro foi exibida nesta sexta-feira como parte da cobertura da Globo para o segundo turno presidencial.>Lula havia participado da mesma série de entrevistas na quinta-feira (15). Os encontros foram programados para os dias 15 e 16, com mediação da jornalista Renata Lo Prete. A Globo também realizará um debate entre os dois candidatos no dia 23 de outubro.
>Durante a entrevista desta sexta, Flávio foi questionado sobre temas que têm ocupado o centro da campanha eleitoral.
Flávio falou sobre fim da escala 6x1
>Um dos assuntos abordados foi a mudança de posição do candidato sobre o fim da escala 6x1.>Flávio havia criticado anteriormente a proposta, classificando a pauta como eleitoreira e oportunista, mas acabou votando a favor da PEC aprovada pelo Senado nesta semana.
>Na entrevista, ele afirmou que decidiu acompanhar aquilo que identificou como a vontade da maioria dos trabalhadores durante as viagens de campanha.
>A PEC reduz progressivamente a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
‘Tesouraço’ também entrou na entrevista
>O candidato também explicou sua proposta chamada de “tesouraço”, expressão utilizada no programa de governo tanto para medidas de redução de gastos públicos quanto para mudanças em estruturas relacionadas à regulação de conteúdo e combate à desinformação.>Na área fiscal, Flávio afirmou que pretende reduzir o número de ministérios, revisar estruturas administrativas e vender imóveis da União considerados sem utilização adequada. Também disse que pretende preservar reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação.
>Em outra frente, o programa do candidato utiliza a expressão “tesouraço na censura” para defender o desmonte de órgãos e políticas que, na visão do PL, restringem a liberdade de expressão.
Caso ‘Dark Horse’ foi outro ponto da sabatina
>A produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, também voltou ao debate.>A Polícia Federal investiga a origem e o caminho de recursos destinados ao projeto. Flávio é investigado no inquérito, que analisa suspeitas envolvendo remessas financeiras ao exterior e a participação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
>Investigações identificaram cerca de R$ 62 milhões já destinados ao projeto, embora o valor inicialmente discutido pudesse chegar a aproximadamente R$ 134 milhões.
>Flávio sustenta que o dinheiro foi obtido por meio de uma operação privada de patrocínio e nega irregularidades.
>Nesta sexta-feira, a Polícia Federal pediu mais 90 dias para concluir diligências relacionadas ao caso.
Panelaços voltam ao cenário eleitoral
>A manifestação registrada durante a entrevista recupera uma forma de protesto que já apareceu em diferentes momentos da política brasileira.>Panelaços ganharam força principalmente durante os últimos anos do governo Dilma Rousseff e também foram registrados durante o governo Jair Bolsonaro.
>Nesta sexta, a manifestação ocorreu simultaneamente em diferentes cidades durante a presença de Flávio na televisão. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, houve registros em bairros de diferentes regiões das duas capitais.
>Em João Pessoa, vídeos publicados por moradores também registraram o barulho durante a transmissão.
>Não há, até o momento, levantamento independente capaz de mensurar quantos bairros da capital paraibana aderiram à convocação nem o número de participantes.
Mobilização digital ganha peso no segundo turno
>A convocação também mostra como as redes sociais e aplicativos de mensagens passaram a ocupar um papel central nesta reta final.>O canal de Janones ultrapassou a marca de milhões de seguidores e se tornou uma das principais estruturas de mobilização digital ligadas ao campo lulista após o primeiro turno.
>A campanha de Flávio Bolsonaro também opera estruturas próprias de mobilização digital e disputa decisões no TSE envolvendo grupos, canais e conteúdos de apoiadores.
>Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, manifestações nas ruas, panelaços, carreatas, lives e ações coordenadas pelas redes passaram a disputar atenção paralelamente à propaganda eleitoral tradicional.
