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Lula reage a apelido de “nove dedos”, chama Flávio Bolsonaro de “miliciano” e exige desculpas durante debate da Globo

Publicado em 23/10/2026 às 23:45 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
O debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), foi marcado por um confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O momento de maior tensão ocorreu quando Lula reagiu à expressão “nove dedos”, utilizada pelo adversário em referência à amputação sofrida pelo petista em um acidente de trabalho. O presidente exigiu um pedido de desculpas e chamou Flávio de “miliciano”.

A provocação aconteceu durante uma discussão sobre salário mínimo, carga tributária e transporte público gratuito aos fins de semana. Ao criticar a política econômica do governo, Flávio afirmou que Lula concede benefícios à população, mas retira parte dos recursos por meio da cobrança de impostos.

“Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”, declarou o candidato do PL.

A referência provocou reação de Lula, que relembrou o acidente ocorrido quando trabalhava como torneiro mecânico em São Paulo. O presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, após um acidente com uma prensa na metalúrgica onde trabalhava.

“Quem perdeu o dedo com 17 anos fui eu, trabalhando de noite, que não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir”, afirmou Lula.

O presidente também criticou a trajetória profissional do adversário e o chamou de “granfino”, acusando-o de desconhecer a realidade dos trabalhadores brasileiros. A classificação de Flávio como “miliciano” foi uma acusação feita por Lula durante o debate, e não uma conclusão judicial apresentada no confronto.

Após a cobrança, Flávio Bolsonaro pediu desculpas pela expressão utilizada.

“Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de nove dedos, então eu te peço desculpas de verdade. Não queria te ofender”, declarou o senador.

Apesar da retratação, o candidato do PL manteve as críticas ao governo federal e cobrou que Lula também pedisse desculpas aos brasileiros que enfrentam dificuldades financeiras, citando o endividamento das famílias, as taxas de juros e os índices de violência contra as mulheres.

Outro momento de confronto envolveu a ampliação da licença-maternidade. Lula questionou Flávio sobre o voto contrário que deu à proposta quando exercia o mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 2009.

Na ocasião, Flávio foi o único parlamentar a votar contra a ampliação do benefício, aprovada por outros 54 deputados. Questionado pelo presidente, o senador reconheceu que sua posição foi equivocada e afirmou que atualmente votaria de maneira diferente.

“Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego. Eu estava errado”, afirmou Flávio, acrescentando que sua experiência como pai contribuiu para mudar seu entendimento sobre a importância da licença-maternidade.

Lula também criticou o adversário por ter utilizado anteriormente a expressão “Bolsa Farelo” para se referir ao Bolsa Família. Segundo o petista, a declaração demonstraria desrespeito com as famílias de baixa renda que dependem do programa social.

A situação econômica do país também esteve entre os principais assuntos discutidos. Flávio Bolsonaro questionou o presidente sobre o endividamento dos brasileiros e os juros elevados, além de defender a autonomia do Banco Central.

O candidato do PL apresentou uma proposta de renegociação de dívidas, com possibilidade de compra e congelamento de débitos bancários para aliviar o orçamento das famílias.

Lula respondeu que seu governo já havia apresentado iniciativas semelhantes e mencionou medidas de renegociação de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). O presidente também relacionou parte das dificuldades econômicas à política monetária conduzida pelo Banco Central, que passou a ter autonomia formal durante o governo de Jair Bolsonaro.

“Não adianta ficar copiando o que eu falo e dizendo que vai fazer”, afirmou Lula, ao acusar o adversário de apresentar propostas que, segundo ele, já estavam em discussão no governo.

O debate foi o último encontro televisionado entre os dois candidatos antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O confronto ocorreu na reta final de uma campanha marcada por acusações, divergências sobre políticas públicas e disputas em torno dos resultados econômicos e sociais do país.

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