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Flávio Bolsonaro aceita abrir sigilos de 20 anos, mas impõe condições a Lula e cobra dados de ex-assessor

Publicado em 21/10/2026 às 20:15 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, em resposta ao desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate da Band, no último domingo (18). O senador, no entanto, estabeleceu condições para a divulgação das informações e cobrou que o adversário amplie o acesso a dados de familiares, assessores e empresas.

Durante um evento de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo, Flávio declarou que pretende levar a proposta adiante. “Eu não só vou aceitar o desafio como vou levar às últimas consequências”, afirmou diante de apoiadores. O candidato também condicionou a abertura de seu sigilo telefônico à divulgação dos dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República.

“Eu abro meu sigilo de telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele”, declarou o senador. A campanha de Flávio sustenta que Lula utilizava telefones de assessores para se comunicar e que, por isso, a autorização apresentada pelo presidente não seria suficiente para esclarecer os questionamentos levantados durante a disputa eleitoral.

Ainda nesta quarta-feira, a defesa de Flávio protocolou uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manifestando disposição para divulgar informações bancárias, fiscais e telefônicas referentes aos últimos 20 anos. Segundo a assessoria do candidato, a autorização também contempla familiares, empresas das quais participa como sócio ou administrador e mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A divulgação, entretanto, está condicionada ao atendimento das exigências apresentadas à campanha adversária.

Entre os pedidos apresentados pelo candidato do PL estão a ampliação do período de abertura dos sigilos de Lula até 2003, o acesso a informações do Instituto Lula, de empresas ligadas aos filhos do presidente e do ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro. A petição também solicita dados sobre despesas da primeira-dama Janja da Silva, gastos do cartão corporativo da Presidência e registros de encontros com Daniel Vorcaro.

A defesa de Flávio classificou a iniciativa apresentada inicialmente por Lula como uma promessa “vazia” e um “gesto para as câmeras a cinco dias do segundo turno”. Os advogados argumentam que a divulgação apenas dos dados oferecidos pelo presidente não seria suficiente para esclarecer suspeitas levantadas pela campanha bolsonarista. As afirmações sobre eventuais irregularidades envolvendo familiares e pessoas próximas a Lula são acusações da campanha adversária, e não conclusões judiciais.

O desafio teve início durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado no domingo (18). Na ocasião, Lula propôs que os dois candidatos autorizassem a divulgação de informações bancárias e telefônicas, incluindo dados de familiares e empresas, como forma de responder às acusações de corrupção feitas durante o confronto.

Na terça-feira (20), a campanha petista apresentou ao TSE um documento autorizando a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula, da primeira-dama e dos cinco filhos do presidente, referentes aos últimos oito anos. A medida também foi condicionada à adoção de uma iniciativa equivalente por Flávio Bolsonaro.

Após as novas exigências apresentadas pelo candidato do PL, a campanha de Lula informou, ainda nesta quarta-feira, que aceita ampliar o alcance da proposta. O senador Camilo Santana (PT-CE) anunciou que o presidente concordou em incluir informações do Instituto Lula, do ex-assessor conhecido como Marcola e despesas relacionadas à primeira-dama. A equipe jurídica petista prevê formalizar a complementação dos documentos nesta quinta-feira (22).

Durante uma atividade de campanha em Belo Horizonte, Minas Gerais, Lula voltou a cobrar que o adversário cumpra o desafio e disponibilize suas informações. O presidente também reiterou críticas ao senador, em meio à troca de acusações que tem marcado a reta final da campanha.

Apesar dos documentos apresentados à Justiça Eleitoral, a abertura efetiva dos sigilos ainda depende dos procedimentos legais aplicáveis. O protocolo das petições não significa que os dados bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos e de terceiros já estejam disponíveis para consulta pública.

A disputa sobre a divulgação das informações acontece a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.
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