Brasil
Família de empresário paraibano encontrado morto com tiro na cabeça no Recife contesta suicídio e cobra investigação
Publicado em 16/10/2026 às 04:00 Por Lucas Rodrigues
Natural de João Pessoa, Everaldo atuava no setor de tecnologia e havia se mudado para Pernambuco para acompanhar a esposa, uma delegada da Polícia Civil que assumiu um cargo no estado após aprovação em concurso público. Segundo os familiares, o empresário havia negociado recentemente a venda de sua empresa por um valor milionário e vivia um período de estabilidade financeira e realização profissional.
De acordo com os primeiros relatos colhidos pela polícia, Everaldo teria sido encontrado morto pela própria esposa. O disparo foi efetuado com uma arma pertencente à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, que estava sob responsabilidade da delegada. Conforme a versão inicial apresentada às autoridades, a arma estaria guardada e desmuniciada antes do ocorrido.
Ainda segundo as informações preliminares, o empresário teria utilizado um travesseiro para abafar o barulho do disparo, o que explicaria o fato de outras pessoas no imóvel não terem ouvido o tiro. A dinâmica, entretanto, ainda depende de confirmação por meio dos exames periciais.
A mãe do empresário, Ana Coutinho, questiona a hipótese de suicídio e afirma que a família não teve acesso aos documentos que poderiam esclarecer o que aconteceu dentro do apartamento. Entre as informações solicitadas estão os laudos periciais, os registros da cena da morte e as imagens das câmeras de segurança existentes no imóvel.
Em entrevista, Ana revelou detalhes da última conversa que teve com o filho. Segundo ela, Everaldo havia relatado uma discussão com a esposa e demonstrado preocupação com o futuro do relacionamento.
"Ele me disse: 'Eu acho que vou precisar ir para aí'. Eu, claro, disse: 'Venha'", contou a mãe, ao recordar o diálogo.
Ainda conforme o relato, o empresário teria mencionado um desentendimento conjugal relacionado a uma infidelidade e demonstrado receio de que a situação não tivesse solução. Horas depois, Ana recebeu de um amigo a notícia da morte do filho.
O relato da mãe passou a integrar os questionamentos levantados pela família, que busca compreender o que aconteceu entre a última conversa e o momento em que Everaldo foi encontrado morto. Os desentendimentos conjugais mencionados, porém, não permitem estabelecer, por si só, a causa da morte ou a participação de terceiros.
Para acompanhar o caso, Ana constituiu o advogado criminalista Aécio Farias, que protocolou um requerimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife, solicitando informações sobre os procedimentos investigativos.
Segundo os familiares, o advogado teria sido informado de que não havia inquérito instaurado naquela unidade no momento da consulta. A ausência de registro no DHPP, entretanto, não significa necessariamente que a morte estivesse sem investigação, uma vez que a ocorrência também foi encaminhada à delegacia de Boa Viagem.
A defesa da família questiona especialmente a falta de acesso aos exames periciais. Entre eles está a análise de resíduos de disparo de arma de fogo, que pode contribuir para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, embora seu resultado, isoladamente, não seja suficiente para confirmar ou descartar a hipótese de suicídio.
Os familiares também querem verificar as imagens das câmeras de segurança do apartamento e conhecer os resultados dos exames realizados no corpo do empresário. Para eles, essas informações são necessárias para compreender a dinâmica do disparo e esclarecer eventuais dúvidas sobre a versão inicial.
"Eu, como mãe, tenho direito de saber, de ter acesso ao laudo do meu filho. E minha neta, como filha dele, também tem esse direito", afirmou Ana Coutinho.
A família defende que a investigação seja conduzida com rigor, preservação das provas e independência, considerando que a arma envolvida na ocorrência pertence à estrutura de segurança pública de Pernambuco e estava sob responsabilidade de uma integrante da Polícia Civil.
Apesar dos questionamentos, não há conclusão pericial divulgada que permita afirmar que Everaldo foi vítima de homicídio ou confirmar definitivamente a hipótese de suicídio. Também não foram apresentados elementos que atribuam responsabilidade criminal à esposa do empresário.
Procurada sobre o caso, a Polícia Civil de Pernambuco informou que as investigações estão em andamento e que a apuração está sob responsabilidade da delegacia de Boa Viagem. Até a última atualização, não havia sido divulgada uma conclusão oficial sobre a dinâmica da morte.
Enquanto aguarda respostas, a família de Everaldo segue cobrando acesso às informações que possam esclarecer os últimos momentos do empresário. Para Ana Coutinho, a busca por esses documentos representa uma tentativa de compreender a morte do filho e garantir que todas as circunstâncias sejam devidamente investigadas.
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