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Família de empresário paraibano encontrado morto com tiro na cabeça no Recife contesta suicídio e cobra investigação

Publicado em 16/10/2026 às 04:00 Por Lucas Rodrigues
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Foto: Reprodução / Redes Sociais
A morte do empresário paraibano Everaldo Coelho Bernardo Filho, de 40 anos, encontrado com um tiro na cabeça dentro de um apartamento no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, continua cercada de questionamentos. O caso aconteceu no dia 2 de outubro e foi inicialmente tratado como possível suicídio pela Polícia Civil de Pernambuco. A família, no entanto, contesta essa hipótese, afirma não ter recebido os resultados das perícias e cobra esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.

Natural de João Pessoa, Everaldo atuava no setor de tecnologia e havia se mudado para Pernambuco para acompanhar a esposa, uma delegada da Polícia Civil que assumiu um cargo no estado após aprovação em concurso público. Segundo os familiares, o empresário havia negociado recentemente a venda de sua empresa por um valor milionário e vivia um período de estabilidade financeira e realização profissional.

De acordo com os primeiros relatos colhidos pela polícia, Everaldo teria sido encontrado morto pela própria esposa. O disparo foi efetuado com uma arma pertencente à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, que estava sob responsabilidade da delegada. Conforme a versão inicial apresentada às autoridades, a arma estaria guardada e desmuniciada antes do ocorrido.

Ainda segundo as informações preliminares, o empresário teria utilizado um travesseiro para abafar o barulho do disparo, o que explicaria o fato de outras pessoas no imóvel não terem ouvido o tiro. A dinâmica, entretanto, ainda depende de confirmação por meio dos exames periciais.

A mãe do empresário, Ana Coutinho, questiona a hipótese de suicídio e afirma que a família não teve acesso aos documentos que poderiam esclarecer o que aconteceu dentro do apartamento. Entre as informações solicitadas estão os laudos periciais, os registros da cena da morte e as imagens das câmeras de segurança existentes no imóvel.

Em entrevista, Ana revelou detalhes da última conversa que teve com o filho. Segundo ela, Everaldo havia relatado uma discussão com a esposa e demonstrado preocupação com o futuro do relacionamento.

"Ele me disse: 'Eu acho que vou precisar ir para aí'. Eu, claro, disse: 'Venha'", contou a mãe, ao recordar o diálogo.

Ainda conforme o relato, o empresário teria mencionado um desentendimento conjugal relacionado a uma infidelidade e demonstrado receio de que a situação não tivesse solução. Horas depois, Ana recebeu de um amigo a notícia da morte do filho.

O relato da mãe passou a integrar os questionamentos levantados pela família, que busca compreender o que aconteceu entre a última conversa e o momento em que Everaldo foi encontrado morto. Os desentendimentos conjugais mencionados, porém, não permitem estabelecer, por si só, a causa da morte ou a participação de terceiros.

Para acompanhar o caso, Ana constituiu o advogado criminalista Aécio Farias, que protocolou um requerimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife, solicitando informações sobre os procedimentos investigativos.

Segundo os familiares, o advogado teria sido informado de que não havia inquérito instaurado naquela unidade no momento da consulta. A ausência de registro no DHPP, entretanto, não significa necessariamente que a morte estivesse sem investigação, uma vez que a ocorrência também foi encaminhada à delegacia de Boa Viagem.

A defesa da família questiona especialmente a falta de acesso aos exames periciais. Entre eles está a análise de resíduos de disparo de arma de fogo, que pode contribuir para esclarecer as circunstâncias da ocorrência, embora seu resultado, isoladamente, não seja suficiente para confirmar ou descartar a hipótese de suicídio.

Os familiares também querem verificar as imagens das câmeras de segurança do apartamento e conhecer os resultados dos exames realizados no corpo do empresário. Para eles, essas informações são necessárias para compreender a dinâmica do disparo e esclarecer eventuais dúvidas sobre a versão inicial.

"Eu, como mãe, tenho direito de saber, de ter acesso ao laudo do meu filho. E minha neta, como filha dele, também tem esse direito", afirmou Ana Coutinho.

A família defende que a investigação seja conduzida com rigor, preservação das provas e independência, considerando que a arma envolvida na ocorrência pertence à estrutura de segurança pública de Pernambuco e estava sob responsabilidade de uma integrante da Polícia Civil.

Apesar dos questionamentos, não há conclusão pericial divulgada que permita afirmar que Everaldo foi vítima de homicídio ou confirmar definitivamente a hipótese de suicídio. Também não foram apresentados elementos que atribuam responsabilidade criminal à esposa do empresário.

Procurada sobre o caso, a Polícia Civil de Pernambuco informou que as investigações estão em andamento e que a apuração está sob responsabilidade da delegacia de Boa Viagem. Até a última atualização, não havia sido divulgada uma conclusão oficial sobre a dinâmica da morte.

Enquanto aguarda respostas, a família de Everaldo segue cobrando acesso às informações que possam esclarecer os últimos momentos do empresário. Para Ana Coutinho, a busca por esses documentos representa uma tentativa de compreender a morte do filho e garantir que todas as circunstâncias sejam devidamente investigadas.

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