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Criador de conteúdo critica estereótipos sobre o Nordeste em nova novela da Globo

Publicado em 08/11/2026 às 13:17 Por Redação


A nova novela das seis da TV Globo, “Lá na Minha Terra”, que estreia nesta segunda-feira (9), tornou-se alvo de críticas do jornalista, pesquisador e criador de conteúdo Octávio Santiago. Em um vídeo compartilhado nos perfis @octaviosantiago e @nordestesse_, no Instagram, ele questionou a forma como o Nordeste e os nordestinos são retratados nas primeiras imagens de divulgação da produção.

A principal crítica é direcionada à repetição de estereótipos que associam a região à seca, à pobreza, ao atraso e à migração para o Sudeste. Para Santiago, embora a novela seja ambientada nos dias atuais, os elementos apresentados até agora remetem a uma representação do Nordeste que, segundo ele, não acompanha as transformações sociais, econômicas e culturais da região.

“Pessoal, ei Globo, precisamos conversar. De novo o pacote dos estereótipos”, afirmou o pesquisador no início do vídeo.

Um dos pontos levantados por Santiago é a maneira como o Nordeste aparece representado na narrativa. Segundo ele, a divulgação da novela parece tratar uma região formada por nove estados, com características e realidades distintas, como se fosse um território culturalmente homogêneo.

O criador de conteúdo também criticou a utilização de filtros de imagem, caracterizações e formas de falar que, em sua avaliação, reforçam uma visão caricatural da população nordestina.

Outro aspecto questionado foi o contraste estabelecido entre a cidade fictícia de Lavra Seca, no interior do Ceará, e São Paulo, apresentada na trama como uma grande metrópole brasileira. Para Santiago, a escolha dos cenários e a oposição entre eles podem reforçar a ideia de que o Nordeste representa o atraso, enquanto o Sudeste simboliza desenvolvimento e oportunidades.

“A novela se passa nos dias de hoje, mas o imaginário apresentado até agora parece ter parado nos anos 60”, declarou.

Durante a análise, ele também chamou a atenção para diálogos e expressões presentes no material promocional, apontando o que considera exageros na representação da fala nordestina. Na avaliação do pesquisador, essas escolhas contribuem para perpetuar uma imagem limitada de uma população marcada pela diversidade de sotaques, costumes, experiências e condições sociais.

Santiago comparou ainda a representação dos nordestinos com mudanças que, segundo ele, vêm ocorrendo na construção de personagens negros e LGBTQIA+ na televisão brasileira. Para o jornalista, a dramaturgia precisa ampliar também as possibilidades de representação das pessoas nascidas no Nordeste, sem restringi-las a narrativas de sofrimento, pobreza ou migração.

Ele destacou conquistas de nordestinos em concursos públicos, olimpíadas de conhecimento e redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como exemplos de realidades que, em sua avaliação, também merecem espaço na ficção.

“Nordestino pode ser tudo na ficção, só não precisa continuar sendo reduzido ao atraso”, defendeu.

A crítica faz parte de uma discussão que Santiago desenvolve há anos sobre a representação da população nordestina na mídia brasileira. O jornalista é autor do livro “Só Sei Que Foi Assim: A Trama do Preconceito Contra o Povo do Nordeste”, publicado em 2025, no qual investiga as origens históricas dos estereótipos e preconceitos associados à região.

Em 2024, ele também questionou a caracterização de personagens da novela “No Rancho Fundo”, da TV Globo, por considerar que a produção recorria a elementos semelhantes na representação dos nordestinos.

Sobre a nova novela

Escrita por Mario Teixeira, com direção artística de Allan Fiterman, “Lá na Minha Terra” acompanha a história de Rosenda, personagem interpretada por Dira Paes, uma mulher que cria cinco filhos após o desaparecimento do marido, Severino, vivido por Daniel de Oliveira.

A trama se desenvolve entre a cidade fictícia de Lavra Seca, no interior do Ceará, e São Paulo, onde o marido desaparecido construiu uma nova vida sob outra identidade.

Segundo a apresentação oficial da Globo, a novela aborda temas como identidade, pertencimento, relações familiares e reencontros. A produção também conta com nomes como Mateus Solano e Camila Morgado no elenco.

As críticas de Octávio Santiago foram feitas antes da estreia, com base no material promocional divulgado pela emissora. Portanto, ainda não representam uma avaliação da obra completa.

Ao encerrar o vídeo, o pesquisador defendeu que a televisão brasileira amplie as narrativas sobre o Nordeste e apresente outras perspectivas sobre seus habitantes.

“Existem muitos Nordestes prontos para ganhar visibilidade e ocupar a vitrine que merecem”, afirmou.

Para Santiago, o fato de a novela ainda não ter estreado representa uma oportunidade de ampliar essa representação ao longo da narrativa. Ele encerrou a publicação defendendo mudanças não apenas na trama, mas também na maneira como a televisão brasileira enxerga a região.


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