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“Caso ela diga não“: PF derruba perfis e abre investigação sobre trend que incentiva violência contra mulheres

Publicado em 10/03/2026 às 09:00 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
A Polícia Federal do Brasil iniciou uma ofensiva para conter a disseminação da trend conhecida como “caso ela diga não”, que circula nas redes sociais e apresenta encenações de violência contra mulheres. A ação foi confirmada nesta segunda-feira (9) e inclui a derrubada de perfis e a abertura de um inquérito para investigar os responsáveis pela publicação e disseminação do conteúdo.

A investigação é conduzida pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da corporação e busca identificar criadores e perfis que publicaram vídeos considerados como incitação à violência de gênero.

Nos conteúdos que viralizaram principalmente no TikTok, criadores simulam pedidos de namoro ou casamento e, em seguida, exibem a frase “treinando caso ela diga não”.

Após a legenda, os vídeos mostram encenações de reação agressiva à rejeição feminina. Em alguns casos, os participantes simulam socos em objetos, golpes de luta ou ataques com faca, representando possíveis respostas violentas a uma negativa.

A circulação desse tipo de conteúdo provocou reação de autoridades e parlamentares, principalmente em meio ao aumento dos índices de violência contra mulheres no país.

A repercussão do caso também chegou ao Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados do Brasil deve analisar nesta terça-feira (10), na Comissão de Segurança Pública, um requerimento solicitando que a Procuradoria-Geral da República investigue a publicação e a disseminação dos vídeos.

O pedido foi apresentado pelo deputado Pedro Campos, que classificou a prática como apologia à violência e defendeu responsabilização criminal dos envolvidos.

Segundo o parlamentar, a popularização desse tipo de conteúdo nas redes reflete tensões sociais relacionadas à presença crescente das mulheres em espaços de poder.

A investigação também ocorre em um cenário de crescimento da violência de gênero no Brasil. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, número considerado recorde.

Levantamento jornalístico identificou que apenas vinte vídeos relacionados à trend, publicados entre 2023 e 2025, somaram mais de 175 mil interações em redes sociais, com perfis que variam de centenas a mais de 170 mil seguidores.

Procurado, o TikTok informou que os vídeos violam as Diretrizes da Comunidade da plataforma e afirmou que os conteúdos foram removidos assim que identificados.

As autoridades agora buscam entender não apenas a responsabilidade individual de criadores, mas também como as plataformas digitais atuam na moderação e prevenção da circulação de conteúdos que incentivem comportamentos violentos.

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