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Campanha de Lula aceita exigências de Flávio Bolsonaro para abrir sigilos, mas cobra inclusão de conta ligada a Willer Tomaz

Publicado em 21/10/2026 às 23:51 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (21) que aceita todas as condições apresentadas pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico. O petista, no entanto, cobrou que o adversário também autorize a divulgação de informações de uma conta bancária vinculada ao advogado Willer Tomaz, na qual o senador teria sido cadastrado como “usuário master”, segundo documentos encontrados pela Polícia Federal.

O posicionamento foi anunciado pelo senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha presidencial, durante entrevista coletiva em Brasília. Segundo ele, Lula não pretende criar obstáculos às exigências apresentadas pelo adversário, desde que a abertura das informações ocorra de maneira recíproca.

“O presidente não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo, contanto que ele também cumpra e abra tudo o que estava pedindo e que o presidente protocolou no TSE”, declarou Camilo.

A declaração ocorre depois que Flávio Bolsonaro protocolou, também nesta quarta-feira, uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmando aceitar o desafio de transparência lançado por Lula durante o debate presidencial da Band, no domingo (18). O candidato do PL, entretanto, condicionou a divulgação de seus dados à ampliação das informações oferecidas pelo presidente.

Entre as exigências de Flávio estão a abertura de dados de familiares de Lula, empresas relacionadas aos filhos do petista, do Instituto Lula e de antigos assessores da Presidência. O senador também pediu que o período abrangido pelas informações fosse ampliado para 20 anos.

A resposta da campanha petista foi aceitar as exigências, mas questionar a ausência de uma empresa ligada a Willer Tomaz na relação apresentada pelo candidato do PL.

A empresa em questão é a Alcazar Holdings, ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro. De acordo com reportagens baseadas em documentos da Polícia Federal, o senador apareceu cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da companhia, condição que permitiria acesso e gerenciamento das movimentações financeiras.

A investigação identificou uma troca de e-mails de maio de 2025 na qual uma funcionária do escritório de Willer Tomaz solicitou ao banco Santander a desvinculação do nome de Flávio Bolsonaro da conta. Para a Polícia Federal, o registro constitui um indício que justifica apurar uma possível participação econômica ou societária do parlamentar na empresa.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam manter negócios em conjunto. O candidato afirma que a associação de seu nome à conta foi indevida e que a solicitação de desvinculação demonstra a existência de um erro cadastral. O advogado também sustenta que mantém apenas uma relação de amizade com o senador, sem vínculos financeiros ou societários. Não há, até o momento, comprovação judicial de que o cadastro represente participação do candidato em atividades ilícitas.

Camilo Santana questionou a exclusão da Alcazar Holdings da relação de empresas mencionadas na proposta de Flávio Bolsonaro. Segundo o coordenador da campanha petista, a companhia já havia sido incluída no pedido apresentado por Lula à Justiça Eleitoral.

“Então, a gente vê com muita estranheza ele tirar essa empresa que nós colocamos exatamente no requerimento do presidente”, afirmou Camilo, ao cobrar explicações do adversário.

A campanha de Lula informou que pretende protocolar uma nova manifestação no TSE às 11h desta quinta-feira (22), formalizando a aceitação das exigências apresentadas por Flávio Bolsonaro. A equipe petista também espera que o candidato do PL concorde em disponibilizar as informações solicitadas pelo presidente.

Apesar das manifestações públicas, a apresentação de documentos à Justiça Eleitoral não significa a divulgação automática dos sigilos. O acesso a dados protegidos depende dos procedimentos legais aplicáveis, especialmente quando envolve familiares, assessores e empresas de terceiros.

O impasse sobre a abertura das informações se tornou um dos principais pontos de confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da campanha presidencial. Os candidatos disputam o segundo turno das eleições no próximo domingo (25).

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