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Brasil

Campanha contra o feminicídio une os Três Poderes e usa música de Elza Soares como trilha

Publicado em 07/02/2026 às 16:17 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
Foto: Reprodução/ Instagram
Começou a ser veiculada em todo o país uma campanha institucional que simboliza o pacto entre os Três Poderes no enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres. A peça publicitária traz como trilha sonora a música “Maria da Vila Matilde”, eternizada na voz de Elza Soares, canção que se tornou um dos principais símbolos de resistência e denúncia da violência doméstica no Brasil.

A iniciativa integra o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, lançado pelo governo federal com a participação do Executivo, do Congresso Nacional e do Poder Judiciário. O objetivo é promover uma atuação coordenada e permanente para prevenir a violência, fortalecer as redes de proteção e garantir respostas mais rápidas do Estado às vítimas.

Segundo dados oficiais, o país registra quatro vítimas de feminicídio e cerca de 10 tentativas por dia, além de uma média de 42 casos julgados diariamente pela Justiça em 2025. No mesmo período, foram concedidas mais de 621 mil medidas protetivas, enquanto o Ligue 180 recebeu cerca de 425 denúncias por dia.

A escolha de “Maria da Vila Matilde” para a campanha tem forte carga simbólica. A música, composta por Douglas Germano, aborda a violência doméstica a partir de uma perspectiva de denúncia e empoderamento feminino. A canção foi inspirada em uma história pessoal do compositor e ganhou projeção nacional ao integrar o álbum “A Mulher do Fim do Mundo”, lançado por Elza Soares em 2015. A interpretação da artista chegou a ser indicada ao Grammy Latino.

O título da música faz referência à Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, considerada uma das legislações mais completas do mundo no combate à violência doméstica. A lei define diferentes tipos de violência — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral — e criou mecanismos para proteger as vítimas e punir os agressores.

Além da campanha, o pacto prevê uma série de medidas práticas, como acelerar a concessão de medidas protetivas, integrar a atuação de órgãos públicos, ampliar ações educativas, responsabilizar agressores com mais rapidez e dar atenção especial a grupos em maior situação de vulnerabilidade. Também está prevista a criação de um Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República, para acompanhar e dar transparência às ações.

Outro destaque é o lançamento da plataforma TodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de oferecer um guia com orientações sobre os diferentes tipos de violência e comunicação responsável.

Ao apostar em uma música que já faz parte do imaginário de luta das mulheres brasileiras, a campanha busca sensibilizar a sociedade e reforçar a mensagem de que o combate ao feminicídio não é apenas uma tarefa do Estado, mas um compromisso coletivo para salvar vidas.

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