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Câmara decreta perda de mandato de Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem

Publicado em 18/12/2025 às 18:30 Por Redação
Foto: Reprodução/ Instagram
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A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decidiu nesta quinta-feira (18) decretar a perda de mandato dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). A informação foi confirmada pelo primeiro-secretário da Câmara, Carlos Veras (PT-PE), e já consta no Diário Oficial da Câmara.

No caso de Eduardo Bolsonaro, a cassação ocorreu por excesso de faltas. Segundo a contagem oficial, o parlamentar acumulou 59 ausências, ultrapassando o limite permitido pela Constituição Federal, que prevê a perda do mandato quando o deputado falta a 33% das sessões ordinárias, salvo em situações de licença oficial ou missão autorizada.

A regra também está prevista no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. A contagem considera sessões ordinárias e extraordinárias com abertura da ordem do dia, conforme norma interna da Casa.

Já a perda de mandato de Alexandre Ramagem teve como base uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a 16 anos e um mês de prisão por envolvimento na trama golpista, Ramagem teve a cassação determinada diretamente pela Corte.

A Mesa Diretora avaliou que, além da condenação, o fato de o deputado estar fora do país levaria ao acúmulo de faltas, o que também justificaria a medida. Em manifestação enviada à Câmara, Ramagem afirmou ser alvo de perseguição política e alegou que o STF não teria competência para decretar a perda do mandato, argumento que não foi acatado.

Ao longo do ano, o então presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sofreu pressão de partidos do centrão para dar uma solução aos dois casos. No caso de Eduardo Bolsonaro, a orientação foi usar a contagem de faltas como base jurídica. Para Ramagem, a sugestão foi seguir diretamente a decisão do Supremo por meio de ato da Mesa Diretora.

Parlamentares da base do governo também cobraram providências. O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), apresentou pedidos de cassação e ações no STF e comemorou a decisão nas redes sociais, chamando o episódio de fim da chamada “bancada de foragidos”.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro. Em março, pediu licença do mandato por 122 dias, alegando motivos de saúde e interesse particular. Ele afirmou que não pretende retornar ao Brasil por receio de ser preso por ordem do STF.

O ex-deputado responde a processo por coação, acusado de articular sanções internacionais contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo. A denúncia foi aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF, que entendeu que a conduta extrapolou a crítica política e representou ameaça às instituições.

Eduardo está sem salário desde julho, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou o bloqueio de contas e bens. A Câmara informou que ele ainda tem um débito de R$ 13,9 mil, referente a dias em que recebeu remuneração mesmo sem comparecer às sessões.

Após a condenação, Ramagem apresentou atestado médico e deixou o país em setembro, antes de ser preso. A Polícia Federal afirmou que ele fugiu clandestinamente pela fronteira com a Guiana, sem registro em postos migratórios, e embarcou depois para os Estados Unidos.

O ministro Alexandre de Moraes deu início ao processo de pedido de extradição junto ao Ministério da Justiça. Segundo a PF, um grupo teria ajudado na fuga, e um suspeito foi preso por suposta participação na saída do deputado do Brasil.

A cassação dos dois parlamentares encerra um dos capítulos mais sensíveis envolvendo a atuação da Câmara, o Supremo Tribunal Federal e os desdobramentos judiciais ligados à tentativa de golpe de Estado investigada e julgada pela Corte.

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