Brasil
Anvisa aprova novos medicamentos para tratamento de câncer de pulmão e de mama
Publicado em 23/10/2026 às 10:00 Por Lucas Rodrigues
O Emrelis é indicado para pacientes adultos com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP), do subtipo não escamoso, em estágio localmente avançado ou metastático. A utilização é destinada a pessoas que já receberam tratamento sistêmico e apresentam características específicas do tumor, incluindo alta superexpressão da proteína c-Met e receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) do tipo selvagem, ou seja, sem determinadas mutações nesse receptor.
Segundo a Anvisa, o medicamento foi desenvolvido para reconhecer e se ligar à proteína c-Met, presente na superfície de determinadas células tumorais. Após essa ligação, o composto é internalizado e libera uma substância capaz de provocar a morte das células cancerígenas.
A aprovação foi baseada principalmente em resultados de um estudo clínico com pacientes que já haviam recebido tratamentos anteriores. Na população total avaliada, o medicamento apresentou taxa de resposta objetiva de 29,2%, indicador que representa a proporção de pacientes que tiveram redução mensurável do tumor.
Entre os participantes com alta superexpressão da proteína c-Met, a taxa de resposta chegou a 34,5%. De acordo com a agência, os resultados demonstraram respostas duradouras em parte dos pacientes e apontaram uma nova possibilidade terapêutica para casos com opções de tratamento limitadas.
O câncer de pulmão de células não pequenas representa aproximadamente 85% dos diagnósticos da doença. Desse total, cerca de 70% correspondem ao subtipo não escamoso. Pacientes com tumores avançados ou metastáticos podem apresentar maior dificuldade de tratamento, especialmente após o uso de quimioterapia e imunoterapia.
Além do medicamento para câncer de pulmão, a Anvisa também aprovou o registro do Poherdy, que contém pertuzumabe e é indicado para determinados casos de câncer de mama HER2-positivo.
Nos casos de câncer de mama metastático ou localmente recorrente sem possibilidade de cirurgia, o medicamento pode ser utilizado em combinação com trastuzumabe e docetaxel, desde que a paciente não tenha recebido anteriormente tratamento anti-HER2 ou quimioterapia para a doença metastática.
Para pacientes com câncer de mama em estágio inicial, o Poherdy também poderá integrar esquemas terapêuticos combinados com trastuzumabe e quimioterapia, tanto antes quanto depois da cirurgia, conforme as características e o risco de recorrência da doença.
O tratamento neoadjuvante, realizado antes da cirurgia, busca reduzir o tumor e melhorar as condições para o procedimento. Já o tratamento adjuvante, administrado após a cirurgia, tem como finalidade diminuir o risco de retorno do câncer.
As aprovações ampliam as opções de medicamentos registrados para o tratamento oncológico no país. A indicação de cada terapia depende de avaliação médica, das características do tumor e dos critérios estabelecidos para o uso dos produtos. O registro sanitário não significa, necessariamente, disponibilidade imediata dos medicamentos na rede pública de saúde.
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